sexta-feira, 3 de julho de 2009

Nova camisa, mesma exploração.

"- Em apenas três semanas vendemos 204.840 camisas. Isso garante para o clube R$ 1,6 milhão em royalties. Só para ter uma ideia, a antiga fornecedora vendia 120 mil por ano."

As palavras são do vice-presidente de marketing do Flamengo, Ricardo Heirinchsen.

Os números são da Olympikus.

As contas são assustadoras.

Ao preço de 150 reais, a venda de 204.840 camisas soma R$ 30.726.000,00.

Se o clube recebeu só R$ 1,6 milhão, leva portanto algo em torno de 5% da venda de cada camisa.

Se com a pré-venda de uma camisa que ninguém sabia como era - mas todos especulavam ser moderna demais, como acabou sendo - a Olympikus faturou mais de 28 milhões de reais, significa dizer que em apenas três semanas USANDO a marca Flamengo, ela fez dinheiro suficiente para pagar um ano inteiro do patrocínio ao clube, que é de 21 milhões.

Hein?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Money Talks.

Primeiro Kaká, 65 milhões de euros. Depois Cristiano Ronaldo, 94 milhões. Agora Karim Benzema, por mais 35. Nem vou botar o Albiol na conta, porque virou troco. Fato é que, para reformular sua linha de frente, o Real Madrid gastou nada menos que 294 milhões. Para efeito de comparação, quando agiu assim da última vez, o trio formado por Zidane, Figo e Ronaldo custou "só" 180.

O Real rema contra a maré mundial.

A lista dos atletas mais bem pagos do mundo, feita já há alguns anos pela Sports Illustrated, pela primeira vez apresentou queda no rendimento médio dos cinquenta mais bem pagos esportistas americanos (-1,5 milhão, para uma nova média de 23,6).

A lista dos não-americanos, que é menor - tem vinte nomes - apresentou fenômeno oposto. A média deles subiu para 29,5 milhões anuais.

Pelo visto, os novos tempos são motivo de maior preocupação na América do que na Europa. Na terra de Barak, seja qual for a liga profissional, o mantra atual é não gastar além do limite. O que significa estar abaixo do teto salarial para não pagar taxas altíssimas por excedê-lo.

Reproduzo os dez primeiros de cada lista, valores em dólares:

1) Tiger Woods - 99 milhões (quase 8 em prêmios e astronômicos 92 de patrocinadores - ele passou boa parte do ano se recuperando de uma cirurgia no joelho)

2) Phil Mickelson - 52 milhões (sendo 46 de publicidade)

3) LeBron James - 42 milhões (14 de salário)

4) Alex Rodriguez - 39 milhões (33 de salário é o que os Yankees lhe pagam por ano)

5) Shaquille O'Neal - 35 milhões (20 de salário, no penúltimo ano do contrato de 100 milhões assinado com o Miami Heat quando deixou os Lakers)

6) Kevin Garnett - 34 milhões (24 de salário)

7) Kobe Bryant - 31 milhões (21 de salário)

8) Allen Iverson - 29 milhões (o contrato de 76 milhões assinado com os Sixers em 2003 terminou. Em vez dos 22 milhões que recebeu na temporada passada, agora o armador deve ter que se contentar com propostas três vezes menores, caso elas surjam)

9) Derek Jeter - 28 milhões (o capitão dos Yankees ganha 20 do time por ano)

10) Peyton Manning - 27 milhões (a NFL aprendeu antes da NBA)

Não-americanos:

1) David Beckham - 45 milhões (eu me pergunto o que o L.A. Galaxy pensa hoje da gigantesca fortuna investida no inglês que pouco jogou, foi por empréstimo para o Milan e hoje tem futuro incerto)

2) Kimi Räikkönen - 40 milhões
3) Manny Pacquiao, pugilista filipino - 40 milhões
4) Lionel Messi - 39 milhões
5) Fernando Alonso - 35 milhões
6) Valentino Rossi - 35 milhões
7) Yao Ming - 33 milhões
8) Lewis Hamilton - 32 milhões
9) Roger Federer - 29 milhões
10) Vijay Singh - 28 milhões

Ronaldinho Gaúcho é o décimo-primeiro, com 27 milhões, seguido por Cristiano Ronaldo, com 25. Kaká foi o décimo-nono, com 21 milhões.

Na lista do ano que vem, brasileiro e português devem brigar com o inglês pelo topo.

Cortesia de don Florentino.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Século XXI

Não pra FIFA.

Mas antes, vamos à Copa do Brasil. Ou ao Fla-Flu, tanto faz.

O DVD produzido pela diretoria do Internacional com uma compilação de erros de arbitragem que beneficiaram o Corinthians em sua trajetória até a decisão foi o assunto do dia. Pressão patife para cima de Ricardo Marques Ribeiro, que vai apitar o jogo de quarta.

(Mas, vale dizer, desde a idade da pedra raposas mais felpudas usam essa tática antes de jogos como este. A única novidade é a adequação da antiga malandragem dos técnicos aos tempos de hoje - um DVD apresentado por cartolas com o nome de dossiê.)

Ronaldo respondeu assim: "Os cartolas do futebol têm de fazer alguma coisa para aparecer. Muitas vezes, fazem para atrapalhar. Mas o futebol é lindo e emocionante por causa dos erros dos árbitros. Imagine se fosse tudo automático, sem nenhum tipo de erro? Seria monótono".

E aí cabe a pergunta - seria?

E o que seria se o juiz de ontem não tivesse marcado o impedimento de Adriano, num dos últimos lances do Fla-Flu, e o atacante tivesse empurrado para o gol aquela bola? Qual seria a graça pro torcedor tricolor perder o jogo dessa forma?

Teria sido menos emocionante a virada do Brasil (presumo, não vi o segundo tempo) se o juiz tivesse validado o gol legítimo de Kaká? Pois imaginem se Lúcio não tivesse feito aquele gol no fim e a seleção tivesse perdido a final, digamos, nos pênaltis... para os americanos, não menos.

Seria lindo?

Erros de arbitragem acontecem a torto e a direito, em todos os esportes. A diferença é que só o futebol parece ignorar o avanço da humanidade. A maior prova foi justamente a estreia do Brasil contra o Egito, que ficará marcada pra sempre como o jogo do pênalti marcado pela tv.

A FIFA, claro, mandou tirar o bode da sala. Digo, a tv.

Enquanto isso, tênis e vôlei testam (e usam) chips eletrônicos, o basquete usa e abusa do video-tape e outros esportes recorrem à tecnologia para fins menos nobres (morte aos maiôs da natação!)

Não tem cabimento, no mundo de hoje, uma final de Copa do Mundo poder ter desfecho igual ao de 1966. Seria romantismo demais pro meu gosto.

* * *

Eis que, de uma hora para outra, Muricy e Luxemburgo estão sem emprego.

E Dunga mais firme que nunca rumo à Copa que podemos ganhar ou perder, mas jogando como jogava o técnico.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Dez coisas que me irritam em noventa minutos desta seleção brasileira:

1 - O Galvão. Ok, ele não é da seleção, mas às vezes parece. O Felipe Mello em campo, então. Não me conformo mesmo.

2 - A transformação do lateral esquerdo num quase terceiro zagueiro promovida pelo Dunga. Não é nosso futebol que está sem talento pra posição. É a exigência do técnico em ter um jogador de marcação por ali, pra liberar Maicon ou Daniel Alves pela direita, que castra nosso lateral canhoto. O destro sobe sempre. Mesmo quando o jogo está do lado esquerdo, ele fica além da linha de meio-campo esperando a virada de bola. Pra que suba sempre, Dunga prende o lateral esquerdo, seja ele quem for.

Sabem como é, Gilberto Silva e Felipe Mello saem muito pro jogo, só pensam em atacar, a defesa fica desprotegida...

3 - Zagueiros que marcam a bola. Lúcio e Luisão têm na experiência sua maior (única, hoje?) qualidade. Mas ainda não aprenderam que zagueiro marca o atacante, não a bola. A África do Sul acaba de perder um gol na pequena área com nossa dupla de zaga olhando a bola chegar livre pra cabeçada do zagueirão sul-africano. Que nem era o branco-azedo gigante, e sim o negro, mais baixo. Thiago Silva está vendo o jogo pela TV, como eu.

4 - A dificuldade, quase incapacidade que esse time tem de jogar contra adversários fechados. Sempre foi assim com a seleção brasileira. Times retrancados, não essa dificuldade. Não lembro da geração de Leandro, Júnior, Falcão, Sócrates, Zico e Reinaldo enfrentando times abertos. Eram retrancas iguais às de hoje. Os nomes é que são diferentes. Hoje temos Gilberto Silva e Felipe Mello no meio-campo. Acho que já falei deles.

5 - A falta de cancha do Dunga como técnico, até porque ele não é, está aprendendo a ser. Dunga não sabe mexer no time durante a partida. Nem na estrutura, nem nas substituições. Bota reservas em campo faltando cinco minutos pro fim, nas mais diferentes situações - já fez isso vencendo de muito, empatando sob vaias e perdendo. Técnico mesmo não faz isso, ainda mais numa seleção brasileira, é algo que jogador detesta, com razão. Dunga também nunca mexe no time no intervalo, mesmo que ele esteja jogando pessimamente. Como hoje.

6 - A indolência tática de nossos atacantes. Nessa eu vou dar uma colher-de-chá pro técnico, porque eu suponho que o Dunga peça a Robinho e Luis Fabiano que pressionem a saída de bola do adversário. Hoje, pra quem é malandro, essa é uma das principais armas do futebol, roubar a bola já próximo ao gol. Que o digam Barcelona e Manchester, mestres nessa arte (outro é o Arsenal). Diante de uma defesa rápida mas sem nenhum jogo de cintura, nossos atacantes em momento algum se empenharam realmente em dificultar a saída de bola sul-africana, só fizeram sombra.

E eu acabo de ouvir a frase "Felipe Mello hoje não está tão bem como nos outros jogos". Meu Deus. No segundo seguinte, Júlio César faz um milagre. A África do Sul dá calor no Brasil já há alguns bons minutos.

7 - As bordoadas. E elas ocorrem aos borbotões. Luisão. Lúcio. Felipe Mello. Todos baixam o sarrafo sem constrangimento. E, nessas horas, me parece inegável que os juízes olham pra camisa antes de puxar o cartão. Mesmo assim, Luisão e Felipe já tomaram os seus.

8 - Gilberto Silva. Que foi um baita jogador. Foi. Fez parte de um time do Arsenal que entrou pra história. Fez. Que foi campeão do mundo. Foi, há sete anos. Hoje, dá pena vê-lo se arrastar em campo com aquelas pernas compridas que antigamente eram responsáveis por uma passada irresistível. Gilberto não vinha agradando nem no Panathinaikos, como me informam meus contatos gregos.

E agora, aos 35 do segundo tempo, Dunga mandou Daniel Alvez pro aquecimento. Pra entrar na esquerda, torto, no lugar do André Santos. Isso que é confiar no seu titular da posição. E no seu reserva, que está no banco...

9 - A sorte do Dunga. Minutos depois de entrar, Daniel Alves fez de falta. Largo até quando erra. Afinal, como disse o Falcão, "ele bateria do mesmo jeito se tivesse entrado no lugar do Ramires". Sacanagem com os sul-africanos. Mas futebol é assim e eles jogaram de igual para igual, vão fazer festa do mesmo jeito por terem perdido por um a zero pro Brasil.

10 - A pequenez do estilo Dunga. Fez duas substituições nos dois minutos finais, pra parar o jogo. Deve achar isso cancha, malandragem. Eu acho indigno do Brasil. Mas é isso, tempos difíceis pra se torcer e apreciar jogo da seleção.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Vale Tudo

Qual é o verdadeiro Flamengo?

O que goleou o Inter, ontem?

Ou o que foi goleado pelo Coritiba, domingo passado?

Que, diga-se, são o mesmo time que deveria ter vencido Cruzeiro e Sport, mas perdeu para ambos. Que poderia, assim, estar com dezesseis pontos na tabela, mas só tem dez. Que teria condições, com o elenco que tem, de brigar pelo título brasileiro sim. Mas não acho acredito que vá.

A vitória de ontem não foi pelo Cuca. Teve a ver com a eliminação da Copa do Brasil, ainda entalada na garganta dos jogadores. O Fla poderia estar decidindo o título com o Corinthians, agora. Mas também poderia ter sido eliminado pelo Coritiba nas semis, caso tivesse passado pelo colorado. Poderia, deveria, seria...

Esse time do Flamengo pode tudo. Porque na Gávea, no momento, tudo pode.

O lance do pênalti, ontem, é exemplo oportuno. Vencia por três a zero, fatura liquidada, quando começou a discussão entre Adriano e Juan para decidir quem cobraria. Porque, como ficou claro, até hoje o time de Cuca não tem um cobrador oficial - coisa que, em qualquer lugar civilizado da bola, é o técnico quem determina. Toró deu seu pitaco, Léo Moura também, e no fim foi Adriano quem falou mais alto, bateu e fez. Ponto pra ele. Juan, que queria cobrar, que chegou a pegar a bola, que insistiu até que Adriano a tirasse dele, saiu balançando a cabeça, em sinal de descontentamento (normal dele, Juan está sempre descontente, seja com um companheiro, com o juiz, com quem lhe faz falta, com quem lhe dribla). E Ibson, dono do jogo ontem, ficou menos contente ainda, ao ver tudo isso. De tão irritado com a situação, reclamou com Cuca e nem comemorou com os companheiros o quarto gol. Só se acalmou mesmo depois de sair de campo sob aplausos e coro da torcida para ficar.

O treinador? Disse, textualmente, o seguinte:

"O Ibson era o juiz do caso. Treinamos dez pênaltis, o Adriano fez oito, o Juan fez oito... O Juan se preparou e o Adriano também queria bater. Ele tinha feito dois gols e merecia. Pior é quando a briga era para não cobrar."

Hã? Hein???

Não pode ser sério um comandante assim.

* * *

Cuca ligou pro Juvenal? Bem, pelo que disse ontem, na coletiva após o jogo, sim. Chegou a pedir desculpas ao Muricy caso "tenha criado algum desconforto para ele".

Isso, depois de afirmar que não mantém relação pessoal com o presidente do São Paulo. "Nunca liguei pra perguntar como ele está, nem pra lhe dar parabéns no seu aniversário."

Ora, então ligou no sábado para falar o quê?


O Brasil venceu e desclassificou a Itália, ontem, com uma grande exibição. É o que dizem os jornais, sites, jogadores da seleção e seu técnico.

Eu não pude assistir ao primeiro tempo. Quando liguei a tv, já se tinham passado quatro minutos do segundo.

Dali em diante, o que vi foi um time se defendendo o tempo todo, mesmo diante de uma das piores seleções italianas que já foram formadas. Que depende de bondes como Luca Toni e Gilardino, que ainda acredita em veteranos como Pirlo e Camoranesi. Diante desse quadro, Dunga só foi mexer no time aos 37 e 43 minutos, botando mais dois volantes em campo, Kléberson e Josué.

E depois da partida, eu me deparo com manchetes como "BRASIL JOGA À LA 70 E ATROPELA A ITÁLIA."

Realmente, eu devo entender só de basquete mesmo.

Ou nem isso. Afinal, agora minha profissão passou a ser tão regulamentada quanto à de prostituta - exerce-a quem quiser e tiver a oportunidade.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é... (ou: "There's no Kobe hater here")

A temporada da NBA terminou domingo com o esperado título dos Lakers, numa não menos previsível vitória por quatro a um. Um título merecido e indiscutível, apesar do placar não traduzir o que foi a série final, marcada por erros de arbitragem para ambos os lados, grandes lideranças que viraram fumaça e vitórias praticamente certas entregues nos segundos finais. Pode-se dizer que os Lakers venceram dois jogos com absoluta autoridade (1 e 5), entregaram um de forma tola (3) e receberam, de mão beijada, a vitória em outros dois (2 e 4). Ainda assim, se o Orlando tivesse ganho uma dessas partidas, não teria, na minha opinião, sequer levado a série ao jogo sete. O time de LA foi capaz de competir de igual para igual no garrafão - onde Pau, Bynum e Odom foram tão eficientes, à sua maneira, quanto Howard, Turkoglu e Lewis - e sobrou na armação, com Kobe e Derek Fisher fazendo picadinho de Alston, Lee, Pietrus, Nelson e quem mais aparecesse pela frente.

Primeiro todos esperavam por uma revanche diante dos Celtics. Depois, por um duelo contra Lebron. Mas quem chegou foi o Orlando, com um ex-malabarista do basquete de rua e um novato como armadores titulares.

O título, como também como era esperado, levantou uma questão: qual o papel de Kobe Bryant dentro da história do basquete?

Pra começar, eu preciso dizer duas coisas: 1) Kobe está entre os melhores e mais espetaculares jogadores que vi jogar e 2) Kobe não é nem mesmo o melhor jogador da história do seu time.

Pra quem tem memória curta ou sequer teve o prazer de testemunhar, vale lembrar que Magic Johnson foi campeão cinco vezes, MVP três, primeiro time da NBA nove, líder em assistências quatro e, acima de tudo, reinventou o jogo ao se tornar o primeiro armador de fato com mais de dois metros de altura. Nunca houve outro como ele, nem antes e nem desde então. Além disso tudo, era um líder como poucos, não conhecia a palavra egoísmo em quadra e fazia os companheiros ao seu redor melhores.

Dizer para um americano torcedor dos Lakers que Kobe é melhor que Magic é como dizer a um rubro-negro que Romário foi melhor que Zico. E, claro, passar recibo de não entender nada de basquete.

Magic foi campeão em sua primeira temporada substituindo o titular Kareem no jogo seis do playoff final, contra o Houston, atuando como pivô. Foi o melhor da partida, garantiu o título e acabou eleito o MVP das finais. Tinha só vinte anos.

Kobe, como eu já escrevi aqui, não chegou a ser o "coadjuvante" nos seus primeiros três títulos. Mas é preciso lembrar que era Shaq quem fazia a diferença naquele time que, claro, nada teria conquistado sem seu então camisa oito. Mas isso é fato e nem foi há tanto tempo quanto o triple-double de Magic naquelas finais - Shaq foi o MVP das três primeiras decisões da vida de Kobe porque acabou com o jogo em todas elas.

Pegue Kobe em seu auge (hoje) e Shaq na mesma condição e pergunte a qualquer General Manager da NBA qual jogador ele escolheria...

Melhor que Bird? Pode ser, sim. Kobe tem um título a mais que Larry. Mas Larry tem três troféus de MVP, foi escolhido nove vezes para o primeiro time da NBA, assim como Magic (Kobe, até hoje, foi apenas quatro) e é tão campeão olímpico quanto os outros. Mas Bird era genial justamente por conseguir, com sua inteligência, conhecimento e intuição do jogo, suprir suas deficiências físicas. Então, não se tratava de um fenômeno atlético como Kobe. Você acha Kobe decisivo na hora H? Hehehe... talvez só Jordan tenha sido mais decisivo que Bird. Aliás, qual foi a cesta decisiva de Kobe em suas quatro finais de campeonato?

Cesta da vitória?

Ainda assim, eu reconheço em Kobe um jogador tão bom quanto Bird. Diferentes estilos e posições sempre dificultam uma comparação pura e simples como essa.

O que faz muita gente esquecer de Bill Russell e Wilt Chamberlain, só pra citar dois dos super craques pivôs. O primeiro, onze vezes campeão. O segundo, apenas uma. Ainda assim, ousará alguém dizer que Kobe é melhor que Wilt?

Heresia.

Que Mr. Russell?

Pior ainda. Ninguém, na verdade, pode se dizer melhor que ele. Nem que tenha sido.

Eu citei só cinco nomes. Jordan, Magic, Bird, Russell e Wilt.

Em matéria de números, todos tiveram carreiras bem superiores a Kobe (não me refiro só a títulos - Chamberlain, por exemplo, teve apenas um - mas a pontos, rebotes, assistências, tocos, troféus de MVP, recordes etc).

Fora o caráter subjetivo de cada carreira. Jordan provou ser possível vencer sem um pivô decente (Kobe? Shaq e Gasol) e se tornou um ícone tão forte quanto Pelé, Magic reinventou a posição um do basquete, Bird fez o mesmo com a três, Russel e Wilt chegaram a fazer com que a NBA mudasse determinadas regras para que o jogo continuasse competitivo contra eles...

Kobe? Kobe imita Jordan em tudo, quase à perfeição, do fadeaway aos saltos dados logo após o fim do jogo, domingo. E nem sempre foi assim. Basta lembrar do Kobe que, nas finais diante dos Celtics, desistiu no meio do caminho por não acreditar mais no título. MJ jamais foi vice. Quando chegou, venceu.

As estatísticas de sua carreira - 25,1 pontos, 5,3 rebotes e 4,6 assistências, são muito mais comparáveis às de jogadores como Jerry West e Hakeen Olajuwon, pra citar dois outros campeões... E ainda assim, Kobe os superou, num aspecto mais amplo.

Kobe Bryant não precisava desse título para estar na companhia de todos esses grandes e de outros. Já estava lá.

Mas esse título não muda seu papel na história do basquete.

Ver as coisas dessa forma seria reconhecer que ainda lhe faltava a tal "conquista como protagonista" para atestar sua genialidade.

E todos sabem dela há tempos.

* * *

Esse é o problema dessas comparações entre atletas de diferentes gerações.

Achar ser possível comparar Ronaldinho Gaúcho a Rivelino.

* * *

Eu não vi o Brasil.

Mas não me causou nenhuma surpresa quando soube que o jogo terminou 4 a 3.

* * *

Assim como não me causou espanto algum a derrota do Flamengo por 5 a 0.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Valeu à pena?

UAU.

De onde será que Florentino tira tanto dinheiro nesses tempos bicudos? O Real não deve quinhentos milhões de euros na praça?

Deve. E investe pesado para fazer o máximo de dinheiro possível, o quanto antes. Por isso deu a maior arrancada de todos os tempos nesse período pós-temporada, em que todos estão em busca de bons negócios. O Real foi às compras e em uma semana garantiu os dois mais cobiçados produtos do mercado, Cristiano Ronaldo e Kaká.

Ontem, o site do clube já vendia camisas do brasileiro. Que nem escolheu o número que terá às costas. Amanhã ou depois serão as do português, que vai usar a nove. De uma hora para outra, alguns milhões de torcedores asiáticos viverão o conflito de diferenciar Ronaldo do Manchester. Manterão o amor ao clube inglês ou seguirão o destino do ídolo? Qual camisa comprarão?

De uma só tacada, o Real investiu 159 milhões de euros na empreitada de seu novo-velho presidente para reerguer clube e time. E mais nomes serão anunciados - falam em Ribèry, que também não será barato - aumentando essa cifra absurda que já mereceu a preocupação até mesmo de Michel Platini, presidente da UEFA.

Mas Florentino sabe que, no panorama atual do futebol, o retorno financeiro será mera questão matemática. Só uma coisa ninguém pode prever: se o retorno em campo será o mesmo, como mostram as dez maiores transações da história.

1) Cristiano Ronaldo, Manchester para o Real - 94 milhões de euros

2) Zidane, Juventus para o Real, 2001) - 75 milhões de euros

O time galático pode ter ficado marcado mais pela fama que pelos títulos, mas Zidane justificou cada centavo gasto em sua contratação. Deu a da Liga dos Campeões 2001/02 ao clube, marcando na final um dos gols mais fantásticos de todos os tempos. Foi ainda campeão mundial de clubes no mesmo ano e campeão espanhol em 2002/03. A carreira do francês acabaria marcada muito mais por sua passagem pelo time merengue, que defendeu de 2001 a 2006 (155 jogos), do que pela Juve (151 e dois títulos italianos).

3) Kaká, Milan para o Real - 65 milhões de euros

4) Figo, Barcelona para o Real, em 2000 - 61 milhões de euros

Chegou um ano antes de Zinedine e foi logo conquistando o campeonato espanhol 2000/01. Ao lado do francês, foi bi em 2002/03 e levantou a Liga dos Campeões e o mundial de clubes. Saiu um ano antes dele e o clube acertou em deixá-lo ir para a Inter - Figo marcou 30 gols em 172 jogos pelo Barça, 36 em 164 pelo Real e só onze na Itália, onde estava desde 2005, antes de perdurar as chuteiras no fim da atual temporada. Também marcou seu nome na história do clube.

5) Crespo, Parma para o Lazio, em 2000 - 56 milhões de euros

Naquele baita time da Lazio que conquistou o título italiano na temporada 1999/2000 e brigou de igual para igual com os gigantes europeus pelos três anos seguintes, houve acertos, como Nedved, Marcelo Salas e Mihajlovic, e erros - como Crespo. O argentino, que chegou como presente à torcida logo depois da conquista do scudetto, ficou só duas temporadas no clube. Título, só um, a Supercopa da Itália, em 2000. Longe de valer 56 milhões de euros e ser, ainda hoje, a quinta maior transação da história. Ainda assim, Crespo não deixou de ser artilheiro em sua rápida e caríssima passagem por Roma - em 70 jogos, foram 39 gols.

6) Mendieta, Valência para o Lazio, em 2001 - 48 milhões de euros

O espanhol, a mais inflacionada transferência da lista, ficou ainda menos que Crespo na Lazio - só a temporada 2001/02. No ano seguinte, foi emprestado ao Barcelona. Em 2003, novo empréstimo, para o Middlesbrough, que finalmente o comprou em 2004, por um valor nunca divulgado. Um dos piores negócios de todos os tempos.

7) Ferdinand, Leeds para o Manchester, em 2002 - 47 milhões de euros

Quatro títulos da Premier League, uma Champions, um Mundial de Clubes da Fifa. Se as conquistas não falassem por si, falaria o fato de que Rio se tornou um símbolo para o clube. Muito dinheiro por um zagueiro, mas dinheiro muito bem investido.

8) Shevchenko, Milan para o Chelsea, em 2006 - 46 milhões de euros

O maior erro de Abramovic, o que não quer dizer pouco. Fez só nove gols no Chelsea. Emprestado de volta ao próprio Milan, amargou banco. Um mico quase tão grande quanto Mendieta.

9) Verón, Lazio ao Manchester, em 2001 - 46 milhões de euros

Pra bancar tantas contratações no início da década, a Lazio também vendia. E vendeu o meio-campo muito bem ao Manchester. Mas o temperamental - e argentino - Sebástian durou apenas duas temporadas na Inglaterra, conquistando uma Premier League. Um mau negócio.

10) Buffon, Parma para a Juventus, em 2002 - 45 milhões de euros

Buffon conquistou só dois scudettos na Juve e nenhum título europeu. Mas, muito mais que isso, virou ídolo e símbolo ao permanecer no clube após o rebaixamento e levá-lo de volta à primeira divisão. Único goleiro da lista.

Kaká? Ronaldo? Teremos que esperar para saber se valeu à pena tanto dinheiro.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Tempo, ah, o Tempo...

Ficar velho - envelhecer, no caso - é uma experiência assustadora para alguns e admirável para outros. Eu diria que me situo num meio termo entre as duas sensações. Os primeiros fios brancos na barba certamente são muito menos interessantes que, por exemplo, descobrir que aos trinta e seis anos eu ainda sou capaz de voltar à minha antiga forma atlética, nadando três quilômetros e correndo dez no mesmo dia. Nada como o tempo - ter tempo, no meu caso...

Por conta desses trinta e seis bem vividos anos, eu pude acompanhar a carreira de inúmeros mitos do esporte do início ao fim. E perceber as nuances do envelhecimento em diferentes atletas. Zico. Jordan. Prost. Sampras. Favre. Romário. Iverson. Com cada um deles, o processo se deu de forma diferente.


Kobe Bryant tem trinta anos. Faz trinta e um em agosto. Mas números são frios como palavras escritas.

Em treze de carreira, o armador dos Lakers já soma mais minutos em quadra que Larry Bird, por exemplo. Há pelo menos oito anos, opera no limite de sua capacidade física. Oito anos no auge. Máquina humana funcionando a todo vapor.

Ontem a máquina rateou. E não só a vitória do Orlando por 108 a 104 deixa isso claro, como toda essa série final, no fim das contas.

Na primeira partida na casa do adversário, Kobe novamente começou bem. Acertou oito dos onze primeiros arremessos, num primeiro tempo de jogo fantástico.

Depois disso, foram apenas três de quatorze chutes certos. Até nos lances livres, o braço pesou - foram cinco de dez. Dois tocos sofridos (aliás, alguém deveria contar quandos tocos Kobe vai ter levado no fim dessa série), um erro e uma bola perdida nos momentos finais.

Considerando que o Mr. Bryant não somente é genial como frio e decisivo nessas horas, sobra a explicação do corpo, que nem sempre acompanha a mente.

Deu trabalho, mas como isso me chamou a atenção desde o início da série, fiz o levantamento. Apesar da média superior a 33 pontos por jogo nessas finais, Kobe também teve atuação bem abaixo da crítica no último quarto dos dois primeiros jogos:

- No primeiro, uma surra em que ele pouco jogou no período final, ainda assim foram cinco arremessos de quadra e apenas uma bola na cesta.

- No segundo, decidido na prorrogação, Kobe converteu dois de quatro arremessos (é isso mesmo, ele chutou apenas quatro bolas) e cometeu três erros. No tempo extra, foi ainda mais discreto - uma cesta, um arremesso errado, uma assistência e um erro.

Nestas finais, Kobe não está sendo Kobe na hora H.

* * *

Pra não parecer que os Lakers perderam o jogo de ontem - na verdade, foi o Orlando quem venceu - vale dizer que Stam Van Gundy deve ter dado uma passadinha aqui pelo Tudo Bola. Após o segundo jogo, eu escrevi:

"(...) a falta de confiança de Stan Van Gundy em seu armador titular, Rafer Alston - depois de comandar o time no primeiro quarto das duas primeiras partidas (Magic na liderança em ambos), Alston foi sacado e só voltou muito tempo depois, já frio (no jogo 1, retornou só no terceiro quarto!). Ontem, na prorrogação, era o eterno "universitário" J.J. Hedick quem conduzia a bola - e foi ele quem acabou errando um passe primário para permitir que os Lakers abrissem vantagem. Só aí SVG botou Alston em quadra."


Ontem Alston jogou 37 minutos, fez vinte pontos (oito de doze arremessos), deu quatro assistências e foi o ponto de equilíbrio do time. Não, Rafer não é um armador top de linha, nem chega a ser um dos três mais importantes do time. E nem mesmo foi quem ditou o ritmo do ataque do Orlando nos minutos finais - essa tarefa continua sendo de Hedo Turkoglu (sete assistências ontem). Mas é Alston quem o desafoga nessas horas, trazendo a bola da defesa para o ataque sem erros e deixando-a com o turco em segurança para que a equipe inicie a jogada, quase sempre um pick and roll.

Alston, Pietrus, Lewis, Turkoglu e Howard. Quero ser mico de circo se Van Gundy não terminar todos os próximos jogos com esse quinteto em quadra.

* * *

Continuando a quicar a bola, o Brasil caiu no grupo da Argentina e estreia contra os dominicanos na Copa América, que começa dia 26 de agosto, em Porto Rico, e vale quatro vagas para o Mundial da Turquia, em 2010. Além de argentinos, estão no grupo venezuelanos, cubanos e dominicanos. A outra chave tem Porto Rico, Uruguai, Canadá, México e Ilhas Virgens. Os Estados Unidos, campeões olímpicos, já estão classificados e não participam da competição.

Depois da estreia, a seleção brasileira enfrenta Venezuela, Argentina e Cuba.

O alívio para mim, que vi de perto nossos dois últimos fracassos, em Las Vegas e Atenas, é a fórmula de disputa. Os quatro melhores de cada grupo avançam para a segunda fase, em que enfrentam os quatro classificados da outra chave. Ou seja, o Brasil terá oito jogos pela frente, no que será praticamente um torneio "por pontos corridos", já que os times levam a pontuação da primeira para a segunda fase - quando então os quatro com mais pontos somados se garantem nas semis e na Turquia.

Leandrinho está confirmado. Nenê e Ânderson, não. Moncho será o técnico. E a Argentina não terá Ginóbili, Oberto e Nocioni. Vai ser duro. Mas estaremos no Mundial de 2010.

* * *

Seleção do Dunga? Ah, quem se importa se vamos de Nilmar ou Pato quando nos damos conta de que Felipe Mello deve ser o único jogador na história da seleção brasileira a disputar os quatro primeiros jogos com a amarelinha como titular, sem nem ter passado pelo banco?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Desastre.

Às 16:26 de ontem, hora local, o time do Flamengo desapareceu misteriosamente dos radares na área da Ilha do Retiro, em Recife.

Num espaço de oito minutos, foram enviadas quatro mensagens indicando falha nos sistemas defensivos - às 16:26, 16:27, 16:30 e 16:34. Todas de forma automática, visto que o comandante não parecia ter controle algum sobre o time no momento da pane.

As suspeitas - dado que a equipe, até então, fazia um voo tranquilo em Recife - dão conta de que os sensores que monitoram relaxamento, falta de aplicação e vergonha na cara foram comprometidos pela soberba do time.

A notícia mais surpreendente, no entanto, é que todos os envolvidos sobreviveram ao desastre e continuarão suas vidas normalmente.

Quem escapou de acidente semelhante - e por um triz - foi o Los Angeles Lakers. O jogo dois das finais da NBA, disputado ontem em LA, poderia e deveria ter terminado com uma cesta consagradora para o novato Courtney Lee, do Orlando, nos décimos de segundo finais da partida. Mas ele errou a bandeja (prejudiado também pelo toque de Pau Gasol no aro, que não foi marcado pelos juízes - mas isto é detalhe, já que a mesma arbitragem permitiu um toco de Howard sobre o mesmo Gasol por dentro do aro!) e o jogo acabou indo para a prorrogação, quando os Lakers venceram por 101 a 96. Com dois a zero a seu favor, agora a equipe encara três jogos em Orlando, terça, quinta e domingo.

Vale dizer que apenas três times na história da liga conseguiram virar um 2x0 nas finais - a última vez foi em 2006, quando o Miami Heat de Shaq e Wade começou perdendo a série decisiva para o Dallas Mavericks.

Tirando a vinheta de abertura da ABC, uma das mais legais que já vi, e o sensacional e desmoralizante toco de Hedo Turkoglu sobre Kobe que evitou a vitória dos Lakers no tempo normal, vale destacar ainda:

- a falta de confiança de Stan Van Gundy em seu armador titular, Rafer Alston - depois de comandar o time no primeiro quarto das duas primeiras partidas (Magic na liderança em ambos), Alston foi sacado e só voltou muito tempo depois, já frio (no jogo 1, retornou só no terceiro quarto!). Ontem, na prorrogação, era o eterno "universitário" J.J. Hedick quem conduzia a bola - e foi ele quem acabou errando um passe primário para permitir que os Lakers abrissem vantagem. Só aí SVG botou Alston em quadra.

- a maestria do mesmo Van Gundy para armar jogadas rápidas - o chute de 3 de Lewis e a bandeja errada de Lee não permitiram nenhuma chance de reação dos Lakers.

- Hedo Turkoglu - desde Scottie Pippen eu não via um ala 3 conduzir o ataque tão bem.

- Rashard Lewis - finalmente chegou a LA - meio tarde...

- Lamar Odom - em 46 minutos em quadra, acertou oito de nove arremessos, pegou oito rebotes, deu duas assistências e três tocos, para terminar com 19 pontos. Claro que há quem vá dizer que Kobe foi o melhor em quadra ontem, mas isso não é verdade.

Terça tem mais.

sábado, 6 de junho de 2009

Dunga vai à Copa.

Não é título de filme da Disney. É fato. Depois da goleada de hoje sobre o Uruguai, Dunga, salvo um desastre, vai ser o técnico do Brasil na África do Sul, ano que vem.

Vencemos, goleamos, quebramos tabu, estabelecemos um recorde histórico. E nosso melhor jogador em campo foi o goleiro, de novo. É isso, né?

Pouco importa como jogamos, o que importa é "igualar a pegada", como disse o gênio Felipe Mello após o jogo, "que aí a qualidade técnica do jogador brasileiro é sem igual". Viramos um time de contra-ataque mortal, como acaba de dizer o - esse sim genial - PVC na tv. Mas é triste, né? Tomamos pressão o tempo todo, quase não tivemos a posse de bola. Isso, mesmo diante de uma seleção uruguaia que nem parecia, dado que marcava mal toda vida, dando toda a liberdade do mundo ao nosso time. Defendemos com bravura, apesar de todas as incontáveis chances de gol uruguaias, que ou pararam em Júlio ou foram desperdiçadas. A bola rondou nossa área o tempo todo, de um lado para o outro, quando estava 0x0, 1x0, 2x0, 3x0...

Mas vencemos, então...

De que importa o lado esquerdo da nossa defesa, ainda sem solução? Quem vai tirar da cabeça de Dunga que um meio de campo com Gilberto Silva, Felipe e Elano não é meio de campo de seleção brasileira?

Por mais triste que tenha sido a declaração de Felipe Mello depois do jogo - vê-lo falar com a autoridade de titular de seleção brasileira e o tom de voz de um craque é mesmo triste -, ela exemplifica bem o que ele foi.

O Brasil jogou com mais vontade que o Uruguai e goleou por quatro a zero porque soube aproveitar as chances que teve, bem menos numerosas que as do time da casa. Uma vitória do jogador brasileiro - até dele, Felipe, que lutou como todos os outros.

Mas vamos para a Copa sem um treinador de futebol.

* * *

Joel Santana dando coletiva em inglês, depois da vitória sobre a Polônia?

Não tem preço.

* * *

As caras do Denílson, no que deveria ter sido sua estreia no Vietnã, tampouco.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Do or Die.

Los Angeles Lakers e Orlando Magic começam a decidir hoje o título da NBA, na Califórnia. Uma final que ninguém esperava. Antes da temporada, as apostas eram numa reedição da decisão do ano passado, entre Celtics e Lakers. Depois que Kevin Garnett se machucou, acabando com a esperança do bi para o Boston, a expectativa recaiu sobre o Cleveland de LeBron James, mas este foi eliminado pelo time da Flórida, que chega pela segunda vez em sua história à decisão (momento de me sentir velho, pois lembro bem das finais entre o Magic de Shaq e Penny e o Houston de Akeem - ainda sem o H na época).

Dizer que os Lakers são favoritos seria chover no molhado. Têm a vantagem do mando de quadra (nas finais, no sistema 2-3-2). Têm tradição e experiência que os adversários não têm. E, principalmente, têm Kobe.

Vale lembrar que esta será a sexta decisão de título para Mr. Bryant. Tri ao lado de Shaquille O'Neal, também foi vice ao lado deste, no ano em que o time resolveu apostar em veteranos como Gary Payton e Karl Malone - e acabou surpreendido pelo Detroit - e ainda na temporada passada, derrotado pelos Celtics. Nas duas oportunidades, o time de LA também era o favorito.

Se Kobe triunfar, terá conquistado seu primeiro título sem Shaq - fato que os detratores sempre usam para lembrá-lo da importância do pivô naquele tri. Nem precisaria... basta dizer que O'Neal foi eleito o MVP das três finais por um motivo simples: era o principal jogador do time. Mas a verdade é que um jamais teria conquistado nada sem o outro.

Só que, depois disso, Shaq foi campeão novamente, ao lado de Dwyane Wade, no Miami Heat. E Kobe não. Daí a importância dessa conquista, que seria a prova definitiva de que o armador pode liderar uma equipe ao tão sonhado troféu.

Até pela expectativa de um tira-teima entre Kobe e LeBron, o que mais se viu na imprensa americana nas duas últimas semanas foram comparações entre os dois. ESPN, CNN/SI, TNT, ABC e até a SLAM entraram no debate, em que LeBron saiu vitorioso quase sempre - e quase sempre por uma vantagem mínima. Eu mesmo, aqui na caixinha de comentários, disse que prefiro LeBron. Mas é preciso ver as sutilezas que existem numa comparação como estas. Se eu estivesse montando um time, escolheria-o por sua força, idade, talento e jogo coletivo. Se eu tivesse que escolher um jogador para o último arremesso com 2 segundos no relógio, não exitaria em escolher Kobe. Nunca é demais lembrar que o primeiro tem 24 anos e o segundo, 30 (31 em agosto). Lebron, aos 24, é muito, mas muito melhor do que Kobe jamais sonhou ser com a mesma idade. E, mesmo assim, essa seria uma discussão sem fim, apenas com preferências individuais.

Eu prefiro outra. A que deve surgir logo após o título dos Lakers.

Curiosamente, Kobe Bryant está encerrando sua décima-terceira temporada na NBA. Mesmo número de Michael Jordan quando este decidiu pelo ponto final de sua história com os Bulls. Ocasião perfeita para lembrar de algumas coisinhas:

- Jordan chegou seis vezes à final e foi seis vezes campeão (Kobe, se vencer essa, fica com um retrospecto de quatro títulos em seis decisões).

- Jordan foi seis vezes eleito o MVP das finais (Kobe, se for campeão e se for eleito o MVP diante do Orlando, terá apenas um troféu).

- Jordan foi eleito o MVP da temporada cinco vezes em treze anos (Kobe, só uma, no ano passado - LeBron foi quase unanimidade neste ano).

- Jordan foi campeão seis vezes sem ter em seu time um pivô decente (Bill Cartwright, Luc Longley, Bison Dele, Dickey Simpkins, John Salley, pode escolher...). Seu fiel escudeiro, Scottie Pippen, era apenas três centímetros mais alto que ele (enquanto Kobe era o fiel escudeiro do monstro Shaqzilla no tri dos Lakers). Foi MJ quem mudou o conceito de que é impossível vencer sem um pivô dominante.

- Jordan teve médias de 32,5 pontos, 6,2 rebotes e 5,3 assistências em suas treze primeiras temporadas (Kobe, 25,1 - 5,3 - 4,6)

Ou seja, antes que alguém levante a lebre, eu digo logo - a única semelhança entre MJ e KB em seus treze primeiros anos de basquete é Phil Jackson, técnico de ambos durante a maior parte de suas carreiras. O mesmo Phil que já escreveu em um de seus livros que Kobe é "intreinável".

* * *

Se a quinta promete com o basquete da NBA, a quarta foi decepcionante com as semifinais da Copa do Brasil. Corinthians e Internacional se classificaram em jogos sem brilho, de apenas um gol (em Curitiba e que não valeu nada no fim das contas) e com muita violência fora do estádio (em São Paulo, onde um torcedor corintiano foi assassinado antes da partida a pauladas e facadas por vascaínos e palmeirenses, unidos na barbárie).

Não há nada, portanto, que justifique falar desses jogos, diante do absurdo de mais uma morte estúpida.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Segunda!

O fim de semana que passou entra para a história do futebol por conta de carreiras tão marcantes quanto únicas que se encerraram.

Parou Luís Figo, um craque de bola que conseguiu brilhar e conquistar títulos no Barcelona, no Real Madrid e na Internazionale. Que foi símbolo e motor do ressurgimento do futebol português para o mundo. Com Figo Portugal foi quarto numa Copa, vice em uma Eurocopa e terceiro em outra.

Também parou Pavel Nedved, um dos carais mais rápidos de raciocínio que vi jogar. O tcheco, quando novo, era um demônio. Um Tevez meio-campista, só que com elegância. Pra quem não o viu na Lazio, basta dizer que, em três temporadas, conquistou um scudetto, duas Copas da Itália, uma Recopa Européia, duas Supercopas da Itália e uma Supercopa Européia. Aí a Juve o comprou.

Paolo Maldini, finalmente. E quem há de dizer que foi tarde? Jogou até quando quis e virou mito milanês.

Três jogadores que representam a minha geração no futebol, craques que eu acompanhei desde os primeiros dias.

Ficar velho é começar a ter seleções prediletas divididas por décadas...

* * *

Adriano deu ontem um exemplo de como usar o peso (e sua força, claro) a seu favor. Não perdeu uma dividida. Tomou um chute na canela no lance do toque de calcanhar para Emerson e nem sequer pareceu sentir. Adriano, em forma, pode sim ser a diferença neste time do Flamengo, que ninguém sabe como vai ficar ainda, se terá Ibson, se perderá Kléberson, se terá de fato o jogador de futebol Petkovic...

Enquanto isso, Obina fez gol em seu segundo jogo pelo Palmeiras.

* * *

Semana passada eu escrevi:

"(...) na próxima rodada teremos São Paulo x Cruzeiro, Santos x Corinthians e Vitória e Grêmio. Será perfeitamente plausível, então, que o São Paulo termine a quarta rodada dez pontos atrás do Inter, o Cruzeiro seis, o Corinthians oito e o Grêmio idem. Ou seja, logo no início, o time gaúcho pode abrir uma excelente frente sobre seus principais concorrentes. Pontos que poderão fazer muita diferença lá pra frente."

Dos quatro concorrentes do Colorado ao título (talvez pretendentes seja melhor, porque eu não acredito que o Corinthians realmente chegue perto disso), apenas o São Paulo não ficou ainda mais para trás, graças à vitória sobre o próprio Cruzeiro, que já vê o Inter seis pontos à frente. O Grêmio, derrotado pelo Vitória, está a oito. Mesma diferença do Corinthians.

Sem dúvida, uma tremenda arrancada.

Domingo que vem tem Cruzeiro x Inter, jogo imperdível. Principalmente depois de um sábado de seleção do Dunga.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O Kobe de Spike Lee

Era agosto do ano passado e os jogos olímpicos de Pequim rolavam a todo vapor quando entrei na redação do Sportv para mais um dia de cobertura e percebi uma animada rodinha no fim da sala, a que logo fui chamado. O assunto era Kobe Bryant. Ou melhor, "como Kobe era um cara simpático, acessível, boa praça".

Fiquei atônito.

Tentei, em vão, explicar que não era nada daquilo. Que Kobe, desde a acusação de estupro do Colorado, em 2003, vinha tentando mudar sua imagem de weird - no nosso bom português, "esquisito". E sobre ser esquisito eu posso falar de cadeira, acreditem.

Kobe é bem mais do que apenas esquisito.

Desde pequeno, nunca teve uma vida normal. Quando ainda era uma criança, foi morar na Itália, acompanhando seu pai, Joe "Jelly Bean" Bryant, que havia trocado a NBA pela liga local, onde atuaria durante vários anos. Foi lá que Kobe conheceu Oscar. Foi lá que recebeu uma educação européia, diametralmente oposta à que 99% dos negros americanos têm acesso. À distância, pela tv a cabo, acompanhou com uma dedicação quase religiosa a carreira do ídolo, Michael Jordan. Centenas e centenas de fitas VHS. Play, rewind, slow play, rewind, play... Não à toa a semelhança na maneira de jogar, se mover e comportar em quadra chega a beirar o assustador.

Quando voltou para os Estados Unidos, era um peixe fora d'água. Não havia crescido ouvindo NWA e Public Enemy, como seus novos companheiros de time na Lower Marion High School. Não dominava suas gírias. Não tinha a malandragem deles. Mas jogava mais que todos e, por isso, era o centro das atenções. Logo acabaria na NBA, sem sequer passar pela universidade. E, num golpe de mestre do então gerente Jerry West, craque do passado, foi parar justo no Los Angeles Lakers. De menino-prodígio a três vezes seguidas campeão ao lado do amigo-desafeto Shaq, sempre esteve envolto em polêmicas. Muito antes da acusação de estupro, teve que lidar com a fama de fominha e mimado. Com a revelação de que sabotava jogos do time de segundo grau só para poder decidí-los no fim. Com a saída de Shaq de Los Angeles, imposta por ele. E, principalmente, com a total falta de empatia com todo e qualquer companheiro de time. Kobe é muito mais do que uma pessoa reservada, é um sujeito que evita, a todo custo, a aproximação humana. Tanto que não há, ainda hoje, um único jogador na NBA que possa dizer que realmente conheça Kobe Bean Bryant. Ou seja seu amigo.

Neste sábado, às sete e meia da noite, a ESPN mostra "Kobe Doin' Work", documentário de Spike Lee - ironicamente, um dos responsáveis pela explosão do mito Michael Jordan, dirigindo alguns de seus melhores comerciais para a Nike.

"Nós tivemos completo acesso", diz meu cineasta predileto. "Usamos trinta câmeras. Kobe tinha um microfone o tempo todo. E Phil Jackson nos permitiu filmar nos vestiários antes, durante e após o jogo. Ele nunca faz isso. Não houve nenhuma mudança sugerida, nem pelos Lakers, nem pela NBA. E quando sair o DVD, nesta semana (ntb: já foi), não haverá nenhuma censura de linguagem. Então será possível realmente sentir o clima entre os jogadores. Que não mediram as palavras em momento algum."

O documentário, de noventa minutos, foi todo filmado durante um jogo contra o arqui-rival San Antonio Spurs, em abril passado. A narração é do próprio Kobe, que se disse "surpreso" ao perceber o quanto fala com os companheiros durante a partida (na verdade, apontando cada um de seus erros e sempre dizendo como eles devem fazer as coisas). Mais surpreendente que isso no entanto, para quem já o assistiu, é a maneira como Kobe parece jamais ter interesse em ouví-los.

Se Spike Lee tivesse feito um documentário sobre a vida de Kobe, o resultado certamente teria sido mais interessante. Mas mesmo este, sobre um único jogo, já é suficiente pra turma daquela rodinha deixar de achá-lo "boa praça". Porque deve ser algo insuportável dividir quadra e o ambiente de trabalho com ele.
Ontem os Lakers venceram os Nuggets e abriram 3 a 2 na final do Oeste. O jogo seis é amanhã, em Denver, e eu aposto no time da casa. Quem acompanha o rapaz desde o início sabe o quando ele deve sonhar com o jogo sete, domingo, em Los Angeles.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Barça x United, ao vivo e com letras brancas sobre um fundo preto

Quinze minutos para a bola rolar. Saíram as escalações. O Barcelona vai de Sylvinho na lateral esquerda. O Manchester, de Tevez no banco. Hmmm. Guardiola saiu na frente de Ferguson nessa.

Aliás, o Guardiola é ou não é a cara do Felipe, que acaba de renovar por mais dois anos com seu time do Qatar? Começou.

Uau, um minuto e meio e quase que o Manchester abre, no rebote da falta cobrada pelo Cristiano Ronaldo, cada vez melhor nessa batida seca e cheia de efeito. Quem perdeu? Park. Tevez teria chegado antes e feito.

Futebol é mesmo do caralho - perdão pela maneira, mas não há como dizer de outra. Nos oito primeiros minutos, o time inglês tinha chutado três vezes ao gol, todas com Ronaldo. O Barça mal tocou na bola. Pior - o PVC tinha acabado de observar bem, na transmissão da ESPN, que o time catalão estava jogando com Messi pelo meio e Eto'o pela direita. Aí o camaronês recebe um passe de Iniesta, dribla Vidic dentro da área e chuta de bico pra marcar. Isso aos nove. Pela direita. Vá entender.

Por isso o planeta inteiro joga bola.

Dezoito minutos, primeira boa jogada do Messi - um chute de esquerda que passa perto. Volta a pergunta recorrente: quem é o melhor hoje, ele ou Ronaldo? Normalmente minha resposta acaba sendo o argentino. Mas talvez Messi seja mais sensacional e Ronaldo, simplesmente mais eficiente. Bem, se eu estivesse batendo um time, acabaria escolhendo Messi.

A marcação do Manchester afrouxou horrores e agora o Barcelona toca a bola de forma linda. Xavi e Iniesta são dois baitas jogadores, que acabam ofuscados pelo trio de ataque. Mas são a mola mestra do time. Ou seja, do meio pra frente, Guardiola escala cinco caras que são bola. É mais do que o Manchester apresenta hoje, com Tevez no banco. Não me admira que o argentino queira ir embora.

Fim de primeiro tempo, euforia da torcida do Barça no estádio Olímpico de Roma. Pois não é que Guardiola está pra se tornar um dos homens mais largos da história do futebol? Está a quarenta e cinco minutos de se tornar campeão europeu, espanhol e da Copa do Rei em seu primeiro ano e meio de carreira como técnico. Todos conquistados por conta da aposta no talento para um futebol ofensivo. Guardiola era um Iniesta, um Xavi, bom de bola. Imagine-o agora treinando a seleção espanhola, que tem uma das melhores safras de sua história, com Fernando Torres, os meias do Barça, Villa, Silva, Fabregas, Vieira. Quem sabe, num fiasco da Espanha na Copa das Confederações...

Dez do segundo tempo e o Manchester, que voltou com Tevez no lugar do nulo Anderson, tomou calor o tempo todo. O Barcelona criou chances com Messi, Henry, Eto'o e Xavi. Mas não fez. Agora o time inglês quase empata... com Park. É mesmo aquele velho ditado.

Ferguson decidiu ir pro tudo-ou-nada - botou Berbatov no lugar de Park e vai agora de quatro atacantes. Acho que o Barcelona ainda vai fazer mais.

Fez! E nem foi como eu imaginava, num contra-ataque. Tocou, tocou a bola até que Xavi cruzasse na medida para Messi, que fez um golaço de cabeça, algo raro, jogando o corpo para trás para alcançar a bola e jogá-la no contra-pé de Van der Saar. Acho que essa foi pra conta.

Fim do show. Uma atuação daquelas de deixar qualquer um orgulhoso, torcedor ou não. O Barcelona sobrou no mundo da bola nesta temporada. Messi será eleito o melhor do mundo. E todos vão lembrar deste time que ficará para a história como uma equipe que brincava de jogar futebol e fazer gol atrás de gol atrás de gol.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

"Daqui a pouco, a mudança de clube do atacante Obina." - William Bonner, Jornal Nacional de segunda, 25 de maio de 2009.

Eu achava que depois de quinze anos de jornalismo, vivendo de perto os bastidores do futebol, já tivesse visto de tudo. Mala sumindo com renda, curso pra treinador caríssimo plagiando material didático alheio, manipulação de resultados por juíz, doping de toda sorte, mala preta...

E aí sou surpreendido pela seguinte notícia: o Flamengo arrumou um clube disposto a pagar o salário de Obina - 115 mil reais - pelos próximos seis meses.

Obina, dos dezesete jogos e nenhum gol na temporada. Que perdeu dois pênaltis este ano. Que surgiu no Vitória e na Gávea se transformou num misto de xodó, amuleto e bode-espiatório da torcida e do clube.

Obina é o Peu 2000, capaz de me fazer escrever isto em 24 de outubro do ano passado, depois da vitória sobre o Coritiba, pelo brasileiro:

"14 minutos - Obina cabeceia na trave uma bola cruzada por Luizinho.
19 minutos - Obina sai atrás do zagueiro, chega na frente e sofre pênalti.
35 minutos - Obina recebe de Kléberson, ajeita com a esquerda e, antes da bola cair, chuta com a direita no cantinho.
29 do segundo tempo - Obina faz jogada de craque, dribla o zagueiro duas vezes - o deixa no chão na segunda - e chuta rente ao gol.
34 do segundo tempo - Obina rouba a bola, passa por dois zagueiros na velocidade e cruza para Maxi marcar.
"

Neste dia, a manchete de O Globo foi "Com show de Obina, Fla goleia o Coritiba no Maracanã".

Só que, como descobriu um dia o Nunes - mesmo tendo tido o Zico como parceiro - artilheiro tem que matar um leão todo dia. E Obina não chega perto de um leão há quase seis meses.

Por isso, discutir o aspecto técnico desse empréstimo ao Palmeiras é algo que, admito, extrapola minha compreensão.

Mas há o aspecto financeiro, que me intriga.

Como, no atual panorama do futebol, um clube grande, de folha salarial idem mas envididado como todos os outros, se dispõe a pagar 690 mil reais pra ter um atacante que não faz gol, que não fica em forma e que está se tornando, a passos largos, uma piada nacional?

Pra entrar na vaga do Evandro na Libertadores? Isso não é explicação plausível.

Pra ter um atacante de força pra essa competição? Não, também não cola.

Pra que então gastar esse valor em um jogador que o Flamengo tentou empurrar pra meia dúzia de times e não conseguiu?

Teria isso tudo algo a ver com o fato de, mesmo em péssimo momento, Obina ter sido escalado como titular nos dois últimos jogos do Fla - um deles o jogo do ano para o clube?

São muitas perguntas, mas eu só tenho uma resposta:

O responsável pelo negócio, do lado rubro-negro, é um gênio. Mas eu jamais compraria um carro usado dele.

Segunda!

E não será uma segunda! qualquer. Hoje é o sétimo de quatorze dias seguidos com jogo das finais de conferência da NBA ao vivo na TV (ok, a ESPN me decepcionou na quarta, ao passar um jogo que anunciou para a meia-noite "ao vivo", quando na verdade foi em vt - a primeira vez que a ESPN me decepciona em relação à ética).

Magic e Lakers lideram suas séries por 2 a 1, respectivamente contra Cavs e Nuggets. Dos seis primeiros jogos, apenas um - o de ontem - não foi decidido nos segundos finais.

Considerando que a mesma ESPN transmitirá todos os jogos da finalíssima, essa terá sido a maior cobertura da fase decisiva da NBA a que o fã brasileiro já teve oportunidade de assistir.

Hoje tem o jogo 4 entre Nuggets e Lakers, em Denver. No anterior, Kobe Bryant calou o ginásio lotado com bolas certeiras nos momentos decisivos, numa atuação que deixou claro como o homem tem cujones. Desconfio que o troco de Carmello Anthony logo mais será na mesma moeda.

* * *

Campeonato Brasileiro? Começou, mas nem parece. Algumas das principais torcidas do país, nesta segunda, só pensam nos jogos do meio da semana pela Libertadores e Copa do Brasil.

"Ah, mas daqui a pouco a coisa engrena", dirão aqueles que não condenam veementemente esse calendário absurdo (por que a Copa do Brasil precisa ter suas semifinais entre as quatro primeiras rodadas, quando isso poderia acontecer, sei lá, em meados de junho ou julho?).

Eu digo só uma coisa: no próximo fim de semana, o Inter recebe o Avaí (e deve ir a 12 pontos), o Náutico joga com o Fluminense em casa (podendo ir a 10) e o Patético Mineiro (by Bolinho essa) enfrenta o fraco Santo André no Mineirão, (devendo chegar também a 10 pontos). Ou seja, os três primeiros devem continuar em suas posições na tabela.

Para Náutico e Atlético, um bom começo, sem dúvida, mas nada que faça deles candidatos a coisa alguma.

Mas, para o Inter, pode significar muito.

Afinal, na próxima rodada teremos São Paulo x Cruzeiro, Santos x Corinthians e Vitória e Grêmio. Será perfeitamente plausível, então, que o São Paulo termine a quarta rodada dez pontos atrás do Inter, o Cruzeiro seis, o Corinthians oito e o Grêmio idem. Ou seja, logo no início, o time gaúcho pode abrir uma excelente frente sobre seus principais concorrentes.

Pontos que poderão fazer muita diferença lá pra frente.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Tudo Muda.

Numa semana marcada por jogos decisivos pela Copa do Brasil, pela convocação de Dunga e ainda a saída de mais dois jovens talentos para o exterior, o campeonato brasileiro, claro, ficou em segundo plano. Mas tudo nessa semana vai ser refletir, mais pra frente, justamente no brasileirão.

A lista de Dunga desfalca Inter, Cruzeiro e Grêmio na reta final das competições que os três priorizam nesta temporada. Não vou considerar o André Santos uma peça fundamental ao sucesso do Corinthias. Mas e o Inter sem Nilmar? Pior ainda, o Cruzeiro sem Ramires? Alguém já viu jogar Marcelo Grohe, reserva do baita goleiro Victor, do Grêmio?

Ramires nem volta da seleção. Ou melhor, volta, caso o Cruzeiro chegue às finais da Libertadores - em princípio, o acerto com o Benfica (por valor risível) prevê que o meia dispute a competição até o fim pelo clube mineiro. Se não tivesse, logo agora, sido finalmente chamado por Dunga.

Nilmar? Quem sabe se ele também volta da seleção ao Inter? Periga ser finalmente negociado depois de passar pela vitrine oficial do futebol brasileiro. A diferença é que o Inter, ao contrário do Cruzeiro, não vende os seus a preço de banana.

Maicosuel, que não é da patota do Dunga mas também está saindo por duas mariolas, vai fazer uma falta danada ao Botafogo, mesmo que este traga de volta Lúcio Flávio.

E aí? Será que o Inter, sem Nilmar, é ainda o favorito ao título de 2009? E o Cruzeiro, sem Ramires, continua candidato? Ao título ou à Libertadores? E o Botafogo, sem seu principal jogador, continua ali no meio do bolo ou periga brigar pra não chegar ao fim do ano no desespero?

É só o início. Muita coisa ainda vai mudar nos próximos meses.

Enquanto isso, o São Paulo, que não teve ninguém convocado, apresenta Marlos na segunda-feira, negocia com Fabiano Eller pra compor o elenco, descansa para o confronto com o Cruzeiro pela Libertadores, comemora a eliminação do Boca...

Muricy deve estar rindo à toa com tudo isso conspirando a seu favor.

* * *

Eu nem vou falar da lista do Dunga.

Gilberto Silva e Josué continuam lá.

E o Felipe Mello.

Assim como Luisão, Lúcio e Juan. Um é beque horroroso, o outro vive a pior fase da carreira e o último não joga há séculos por conta de problemas físicos. Assim como Daniel Alves, mesmo também machucado, foi chamado.

Fora, continuam Fábio Aurélio, Rafael, Lucas, Diego, Keirrison, Kléber, Taison...

Dunga comeu muita grama pra chegar onde chegou. Parece que acha que todos têm que fazer o mesmo. Tendo talento ou não - como ele.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

The End.

Eu acho que só quem é torcedor de arquibancada do Flamengo sabe como dói essa eliminação diante do Inter. Porque só quem viu o bastante do Andrezinho com a camisa rubro-negra sabe como é ser eliminado com um gol dele - e de falta, não menos.

E o pior é que logo nos vinte primeiros minutos de jogo ficou claro como o time do Flamengo, hoje, tinha noção da urgência de uma atuação com aquele algo mais de aplicação, de raça. Menos Juan. Nesses mesmos vinte minutos foram duas bolas perdidas, uma delas dando contra-ataque, dois cruzamentos errados, quatro ou cinco reclamações e, pra ficar bem claro, uma falta cobrada bizonhamente de forma direta - nas alturas - quando meio time esperava pela bola alçada na área. Juan, como eu já escrevi aqui, pensa nele e só nele.

E assim o Flamengo dominou, criou e perdeu chances, boas chances, principalmente com Kléberson, dono de talento especial para perder gols.

Só que, aos quarenta e dois, Juan entregou a bola e o jogo.

O empate, numa bela jogada entre Ibson-Kléberson-Emerson, veio lá pelos trinta do segundo tempo e teria dado ao time uma classificação que em nada seria injusta. Pelo contrário, mesmo antes de sofrer o gol, o Flamengo sempre jogou para frente, até mesmo se expondo ao contra-ataque mais do que deveria.

Só que aí esse time se esforça pra arrumar uma faltinha pro Inter na entrada da área. E Bruno resolve fazer golpe de vista pra uma cobrança nem tão boa assim. Segue o Inter, sai o Fla. Mas poderia ter sido o contrário e também seria justo.

* * *

A eliminação não tem nada a ver com o título deste post. A volta de Petkovic para a Gávea, isto sim, é o fim.

Para o bem do clube, comissão técnica e departamento de futebol deveriam pedir o boné logo nesta quinta. Se aceitarem a sandice do presidente interino, estarão abrindo o chamado precedente Unimed. Só que, neste caso, nem patrocinador o time tem.

* * *

E por falar em Flu, quando alguém nas Laranjeiras terá um mínimo de entendimento sobre futebol para ver que Fernando Henrique não é e nem nunca foi um goleiro confiável?

Aliás, Bruno também não é. Bruno é o goleiro não confiável mais espetacular dos últimos tempos. Muito bom mesmo. Mas como falha também.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Malandragem, dá um tempo!

Michael Jordan. Ayrton Senna. Pete Sampras. Zico. A lista poderia ser bem mais longa, mas eu preferi ir logo na canela.

Em comum, além da genialidade, uma predileção - treinar.

A distância percorrida por Ayrton nos GPs era infinitamente inferior à que ele fazia em treinos. Obsessivo. Michal era pior. Como o basquete é coletivo, ele era assim também com os companheiros, exigindo deles o mesmo nível de dedicação. Bateu certa vez em Steve Kerr, hoje gerente dos Suns, por conta disso. No meio de um treino, na frente de todos. Zico era sempre o último a sair da Gávea, repetindo cobranças de faltas, tendo uma camisa como alvo, até que caísse a luz do dia. Pete Pistola, diz meu camarada Dácio Campos, era muito mais suor que talento, e daí vinha a sua intensidade nos treinos.

Aí eu abro a web e me deparo com a seguinte notícia:

"FIM DE SEMANA INTENSIVO NAS PARTES FÍSICA E TÉCNICA PARA OBINA E ZÉ ROBERTO. Atacantes não ficam nem no banco na partida contra o Avaí. Cuca diz que dupla será preparada para o duelo contra o Internacional."

Hein?

Hoje não é dia 15 de maio? Como um atleta, à essa altura da temporada, não está em forma? E como mestre cuca pode achar que dois dias de treinos em separado - sábado e domingo apenas - podem resolver o que ele mesmo admite ser um problema de mau condicionamento físico? Esse Obina não é o mesmo que voltou das férias se dizendo (e parecia mesmo) na melhor forma dos últimos anos? Onde foi parar o tal esforço feito nas férias, que devem mesmo ter sido horrorosas sem seu amado acarajé?

E esse absurdo não acontece apenas no circo da Gávea.

Ronaldinho Gaúcho? Intensidade em treino??? Ancelotti tá rindo até agora dessa. Robinho? Adriano?

Romário foi mesmo um modelo negativo enquanto esses caras cresciam.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Filho Feio.

Não existe. Ou alguém já ouviu pai ou mãe dizendo "olha, ele não é um horrorzinho?".

Assim é esse time do Flamengo, para mim. E como não pretendo fugir à regra, não vou falar aqui de mais uma atuação pífia de um ataque (?) que não marca há séculos. Deixe-me falar do que deu certo ontem - a defesa. Porque futebol não é basquete mas, mesmo assim, pode haver beleza numa atuação defensiva competente. Principalmente se o principal objetivo não era defender-se, claro.

Cuca surpreendeu a todos ao sacar o bom jovem zagueiro Welinton para escalar Toró - o que significou puxar Willians para a posição do primeiro, com Torozinho no meio. O mais engraçado é que, antes da entrada do time em campo, comentei com meu irmão, na arquiba, o seguinte: "-Hoje o Welinton não termina a partida." Meu temor era que, em alguma das arrancadas de Nilmar, Taison ou D'Alessandro, Welinton ficasse para trás e apelasse para uma bordoada daquelas de cartão vermelho. Cuca deve ter pensado igual. Apesar de talentoso, o jovem zagueiro não é exatamente veloz, longe disso. Por isso, Willians, ontem, era muito mais indicado para a tarefa. E Toró, no meio, supriria bem o deslocamento deste, com a mesma disposição para a marcação e velocidade para acompanhar o trio colorado.

Resultado: Nilmar deu dois chutes a gol, Taison e D'Alessandro não jogaram nada e acabaram sendo substituídos. Toró saiu de campo aplaudidíssimo pela torcida. E Willians, mais uma vez, foi um dos destaques do time, pois mesmo na zaga, subiu constantemente pela direita (aliás, como é triste ver que, hoje, ele e Angelim jogam muito mais pelos lados do campo que Léo e Juan, que deveriam ser os homens das ultrapassagens - se ainda corressem...).

Taticamente, o Fla foi perfeito em sua proposta de não tomar gol, graças, também, à não menos competente atuação de Aírton, cada vez mais seguro como zagueiro (ontem, pelo meio, na sobra, na posição que era de Fábio Luciano).

Pena que, lá na frente, nem Emerson, nem Éverton, nem Obina, nem Josiel, nem Erick Flores...

O esquema de Cuca é bom. Mas esbarra na preguiça e má-vontade de seus alas (para quem a torcida tem tido cada vez menos paciência) e na absoluta falta de qualidade de seus atacantes (para quem a tolerância acabou faz tempos).

* * *

Três cariocas nas semis da Copa do Brasil? Possível.

* * *

O São Paulo passou a perna na concorrência e vai acertar nas próximas horas com Marlos, vinte anos, moleque bom de bola do Coritiba. Vai brilhar.

* * *

Como terá sido a noite de Sir Alex Fergusson depois de assistir ao massacre de ontem do Barça sobre o Athletic Bilbao na final da Copa do Rei da Espanha?

domingo, 10 de maio de 2009

Jinx.

Hehehehe.

A semana inteira eu só li e ouvi sobre "A VOLTA DOS ARTILHEIROS", "O BRASILEIRÃO DOS GOLEADORES"... e a primeira rodada teve só 25 gols... isso porque Goiás e Náutico fizeram uma pelada de seis em Goiânia, senão teríamos tido a minguada média de 1,9 por partida.

* * *

Terminado o jogo do Flamengo, troquei o metrô por um táxi na hora de voltar da casa de meu irmão. E apesar de minha resitência em conversar com estranhos, o senhor ao volante - que ouvia o jogo do Botafogo no rádio - puxou conversa.

- O Botafogo não tem jeito, né?
- Por que, tá perdendo?
- Não, mas não tá ganhando do Santo André, meu filho.

"Hmmm... botafoguense", pensei.

- Você viu o Flamengo, viu? (detalhe: eu estava à paisana)
- Vi sim, o senhor viu?
- Não, não... mas eu ouvi na rádio, disseram que perdeu um monte de gols.
- Pois é, podia ter feito três ou quatro nos quinze primeiros minutos.
- É, mas o Flamengo não tem ataque, né? Se bem que vem o Adriano...
- Vai mudar pouco.
- É verdade. Queria ver o Ronaldo fazer esses gols todos na Itália, na Inglaterra... não no paulista.

Nesse momento, o locutor quase grita gol no rádio - mas a bola de Victor Simões se recusou a entrar, num daqueles lances que só acontecem com o Botafogo, segundo palavras do próprio.

- E você viu aquele gol esquisito de ontem?
- O do Barueri?
- Mas que coisa, rapaz... se fosse o Botafogo, duvido que a bola entrasse!

"Bem, pelo menos é um botafoguense bem humorado..."

- Mas eu quero mesmo é chegar em casa pra ver o gol do Nilmar.
- Olha, eu vou dizer pro senhor... foi uma pintura.
- E foi que nem o do Maradona mesmo?
- Não, não... era a defesa reserva do Corinthians, na primeira rodada do Brasileirão, não a titular da Inglaterra, numa Copa do Mundo.
- E por que o tal do Dunga não convoca esse rapaz?
- Porque é um imbecil.
- Esse Dunga é burro mesmo. Convocou até aquele Alonso.

Na rádio, a repórter dá a notícia de que Kléber Leite negou o interesse do Flamengo em Ronaldinho Gaúcho.

- E será mesmo que é verdade isso?
- Tomara que não... o senhor ía querer o Ronaldinho no Botafogo?
- Botafogo? Eu sou Fluminense.
- Tricolor? Mas eu pensei que...
- (enfezado) Toda a família, tirando meu filho, que torce pro Flamengo, pra meu desgosto. Rubro-negro doente aquilo...
- Doente e tri-campeão carioca.
- Pois é, ainda tenho que aturar isso.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

É Tudo Bola - De Cristal.

Começa amanhã, com três joguinhos de lascar (Sport x Barueri e Avaí x Atlético Mineiro na abertura? Quem faz essa tabela?), o Brasileirão 2009.

Gostando ou não dos tais pontos corridos - debate interminável que já rendeu até música - o fato é que no ano passado, apesar do título antecipado do São Paulo, tivemos um baita campeonato, com muita briga durante os quase oito meses e emoção até o fim na disputa por vaga na Libertadores e fuga da segundona.

Fazer uma previsão para um campeonato tão longo já seria um risco. Mas aqui, além de tudo, temos ainda o "fator janela", que pode desmontar um time (vide o Flamengo, no ano passado) ou reforçá-lo (fato bem mais raro que a tradicional debandada para Europa e mundo árabe).

Logo, ao se fazer uma análise dos times, é preciso estabelecer determinadas regras para que fiquemos dentro da realidade. Não adianta, por exemplo, conjecturar agora quem realmente vai sair na janela, principalmente nesse momento em que o mundo anda com o freio puxado. Mas há casos, por exemplo, que já são sabidos nesse momento, como contratos que terminam no meio do ano. Mais uma vez citando o Flamengo, sabe-se que Ibson vai embora em junho, acha-se que Juan também pode ir. Então, na hora de botar o Fla na balança, Ibson teve peso apenas como alguém que vai contribuir por um mês e meio e Juan, como lateral do time para a temporada toda.

Assim sendo, sem mais delongas...

CAMPEÃO - Internacional

Uma defesa sólida, com Bolívar, Índio e Kléber; volantes acima da média (daqui), como Guiñazu, Magrão e Sandro, capitão da seleção sub-20 e promessa da base; um legítimo argentino bom de bola, em D'Alessandro; dois atacantes velozes, inteligentes e goleadores como Nilmar e Taison, sensação do primeiro semestre do futebol brasileiro. Bons reservas, como Alecsandro, Marcelo Cordeiro, Andrezinho, Sorondo - que está voltando. Um técnico numa posição de conforto no clube e com o elenco jovem, porém experiente, na mão. O Internacional vai quebrar essa chata rotina do São Paulo e começar a postular deste a posição de clube mais bem estruturado do Brasil. Nada como boa administração e planejamento.

VICE - São Paulo

É hora de novos ares para Muricy. Tudo termina, a vida é cíclica - a menos que você seja Alex Fergusson. O time do São Paulo será bom, jogará bem (porém menos ainda que o de 2008) e vai brigar pela ponta, como sempre. Mas tá dois passos atrás do Internacional.

LIBERTADORES (3) - Cruzeiro

O Cruzeiro já sobra em Minas. Tem uma equipe arrumada, com dois jogadores candidatos à seleção (se o técnico não fosse Dunga, que só chama "estrangeiros"), Ramires e Kléber, e uma base sólida em Fábio, Jancarlos, Fabrício, Wagner e Soares, além do velho Sorín. Só que a obsessão do Cruzeiro para este ano é a Libertadores e enquanto estiver vivo na disputa, o clube vai relegar o Brasileirão ao segundo plano. Está abaixo de Inter e São Paulo na qualidade do elenco, mas tem padrão de jogo tão definido quanto. E outro técnico em posição confortável para trabalhar, Adílson Batista.

PRÉ-LIBERTADORES (4) - Grêmio

A grande indefinição no Grêmio, outro que só pensa nela - a Libertadores - é quem será seu técnico. E a vida promete ser bem melhor sem Celso Roth. O Grêmio do baita goleiro Victor, que joga com três zagueiros - Léo, Réver e Rafael Marques - cinco no meio, com os alas Ruy e Fábio Santos, além de Adílson, Tcheco e Souza e Fábio Santos, e dois atacantes, Jonas e Maxi López, ainda não sabe se terá mesmo Paulo Autuori ao comando. O elenco também ainda não está fechado - o volante Túlio foi contratado esta semana, o lateral Joílson fechou terça e Marlos, revelação do Coritiba, e Molina, do Santos, podem ser os próximos. No banco, o novo técnico ainda terá à sua disposição o meia Eduardo Costa, o uruguaio Orteman, o argentino Herrera, além de Alex Mineiro. Um elenco com muitas peças, aparentemente superior ao do ano passado. Considerando que Autuori é muito mais técnico que Celso Roth, o Grêmio promete.

SUL-AMERICANA (5) - Flamengo

O Flamengo vai de Cuca, que terá a tal tranquilidade que desejava para trabalhar. Tem, no papel, um time muito bom... mas só até a metade da folha, porque sofre com a pífia qualidade de seus atacantes - o pereba Josiel (sim, pereba - e não é o primeiro dito artilheiro pereba do futebol), o mítico Obina, o gato-sheik Emerson, o nanico Maxi, o sempre ausente Zé Roberto... o desespero é tanto que Adriano surge como solução do problema. Apesar disso, a base é sólida, com o monstro Bruno, os laterais Léo Moura e Juan, bons zagueiros como Angelim, Wellinton e Aírton, além de Willians, Kléberson e Ibson - sendo que este vai jogar menos de vinte por cento do campeonato. Pratas da casa como Erick Flores e Paulo Sérgio, além da promessa Everton, precisam brilhar para que o time aspire à Libertadores. Um bom começo também é fundamental para uma boa campanha, por conta do apoio da torcida, o melhor jogador do time nos dois últimos brasileirões.

SUL-AMERICANA (6) - Corinthians

O Corinthians tem Ronaldo. O Corinthians tem Mano. Tem Felipe no gol. Tem sua torcida, sua força em casa. Mas tem um elenco mediano (em que Morais não consegue ser titular, Túlio foi negociado, Jorge Henrique se destaca...). A base com Chicão, William, André Santos, Douglas, Dentinho é boa, mas quando se fala em seus substitutos, o nível cai bastante. E num campeonato de oito meses, isso é fatal. E nem vou falar dos joelhos dele, pra não dar azar.

Ok, ainda tem a questão dos joelhos do Ronaldo.

SUL-AMERICANA (7) - Palmeiras

O Palmeiras de Luxemburgo é um time pragmático, que me parece muito mais capaz de vencer um torneio como a Libertadores, mesmo sem brilhar, do que uma maratona como o Brasileirão. E não, eu não acho que esse Palmeiras vá vencer a Libertadores. A defesa não é segura. Não dá pra contar sempre com Diego Souza - agora literalmente, já que ele deve pegar um belo gancho pela frente. A molecada - Keirrison, Claiton Xavier, Marquinhos, Willians, Ortigoza - também não tem ainda a regularidade suficiente para um campeonato tão longo.

SUL-AMERICANA (8) - Sport

O Sport ganhou moral e status que o Bahia já teve, lá pelo fim dos anos oitenta - clube do Nordeste que encara os de baixo de igual para igual (não, o Sport de 1987, do fraco módulo amarelo, não chegava nem perto disso). Vai pra cima do Palmeiras, no jogo de volta, na Ilha do Retiro, confiante na classificação na Libertadores. Tem um bom técnico em Nelsinho. Jogadores experientes como Dutra e Paulo Baier. Tem a revelação Ciro e promessas como Andrade. Sabendo como poucos usar o fator campo, vai brigar para voltar à Libertadores. Mas terá que se contentar com a Sul-Americana (que poderia ser uma boa afirmação para o clube, sendo um torneio mais fácil de conquistar-se e, ainda assim, um título internacional).

SUL-AMERICANA (9) - Fluminense

O Fluminense não é administrado de maneira séria no momento. Seu presidente é o bobo da corte do futebol carioca e quem manda no clube, de fato, é quem manda na Unimed. Tem um técnico que já parece cansado do futebol há tempos. E que, aliás, nunca foi um papão de títulos. Thiago Neves, que mesmo alguns tricolores pensam agora se deveria ter voltado, vai embora. O tricolor só chegará nessa boa nona posição por conta do talento de Conca e da garotada comandada por Tartá, Maicon e Alan. Se Parreira não achar tudo isso muito ofensivo, claro.

SUL-AMERICANA (10) - Botafogo

Tri-vice estadual, eliminado da Copa do Brasil pelo Americano. A psiquè é a maior dúvida em relação ao alvi-negro, desprestigiado por sua própria torcida nas finais contra o Flamengo. Com que espírito esse grupo parte para um campeonato de oito meses em que todos sabem que o clube não entra para brigar por título ou Libertadores? Como será a resposta da torcida nos dezenove jogos em casa, num estádio que já é chamado no Rio, jocosamente, de Vazião? O Bota tem um bom time, dentro de um orçamento realista, mas vai patinar bastante.

SUL-AMERICANA (11) - Santos

Num patamar parecido com a do Botafogo, com algumas diferenças:
- a torcida vai apoiar o time na Vila.
- quem gostar de futebol vai gostar de acompanhar o desenvolvimento de Neymar durante o campeonato.
- o elenco tem mais peças de reposição que o alvi-negro do Rio.
Por que fica atrás do alvi-negro carioca então? Porque na primeira sequência de derrotas, vai trocar de técnico e estragar tudo.

SUL-AMERICANA (12) - Coritiba

O time da Paraíba - no caso dos, Marcelinho e Carlinhos - tem algumas promessas, em especial Marlos, pretendido por dez entre dez clubes brasileiros nesse momento. Se corresponder, teremos um novo efeito-Keirrisson no time, apesar da ausência de treinador, já que todos sabem que Renê Simões jamais conseguiria ir até o fim de um campeonato de oito meses. Mas gostam dele lá, enfim. Curitiba é mesmo uma cidade ímpar. Ah, e o contrato de Marlos com o clube termina em 23 de maio.

LIMBO (13) - Goiás

O Goiás é aquilo... mesmo tendo perdido o quase-ícone Paulo Baier, ainda tem no time gente boa de bola, como o bom goleiro Harlei, o ótimo lateral-ala-direito Vitor e os atacantes Iarley e Felipe. Dá pra ficar ali no limbo...

LIMBO (14) - Atlético Paranaense

O Atlético tem em Rafael Moura, o He-Man, seu principal jogador. Não é preciso dizer mais nada. Ainda assim, consegue ser melhor que os que vêm abaixo.

LIMBO (15) - Atlético Mineiro

O atleticano, que está se acostumando a sofrer, vai ter que dar graças aos céus se o galo realmente terminar em décimo quinto. Celso Roth cai ainda no primeiro turno, podem me cobrar.

LIMBO RASPANDO...(16) - Vitória

Bem, talvez o Vitória até seja melhor que o Atlético Mineiro, time que eliminou na Copa do Brasil. Mas não chega no Goiás.

REBAIXAMENTO (17) - Náutico

O Náutico vai fazer um bom início de campeonato, ser apontado como surpresa, depois começar a despencar na tabela até terminar brigando para não cair. Ou isso terá sido em 2008? Bem, nesse ano cai.

REBAIXAMENTO (18) - Santo André

Pode até brigar com Náutico e Vitória para não cair, mas seria bom que caísse mesmo.

REBAIXAMENTO (19) - Avaí

A onda de time de série A vai ser curta.

REBAIXAMENTO (20) - Barueri

Hã?

terça-feira, 5 de maio de 2009

O Nível Só Cai.

Nada contra os campeonatos estaduais, apesar de todos terem times demais e, por isso mesmo, durarem bem além da conta. Num mundo perfeito, começariam junto com a temporada européia e durariam, no máximo, um mês e meio, basicamente só com jogos que realmente valessem algo.

Mas não é essa a questão. Eis as seleções dos três principais regionais do país:

SP - Felipe (Corinthians), Alessandro (Corinthians), André Dias (São Paulo), Chicão (Corinthians) e André Santos (Corinthians); Cristian (Corinthians), Elias (Corinthians), Madson (Santos) e Diego Souza (Palmeiras); Ronaldo (Corinthians) e
Washington (São Paulo). Técnico: Mano Menezes (Corinthians)

RJ - Bruno (Flamengo), Léo Moura (Flamengo), Juninho (Botafogo), Angelim (Flamengo) e Ramon (Vasco); Leandro Guerreiro (Botafogo), Nilton (Vasco), Carlos Alberto (Vasco) e Maicosuel (Botafogo); Bruno Meneghel (Resende) e Victor Simões (Botafogo). Técnico: Cuca (Flamengo)

RS - Victor (Grêmio), Ruy (Grêmio), Índio (Inter), Réver (Grêmio) e Kleber (Inter); Sandro (Inter), Guiñazu (Inter), Souza (Grêmio) e D´Alessandro (Inter); Taison (Inter) e Nilmar (Inter). Técnico: Tite

Alguém tem dúvida de que essa seleção gaúcha bateria as paulista e carioca? Eu não.

* * *

Talvez essa seleção gaúcha, com treino, fizesse frente ao Manchester United melhor do que o Arsenal fez hoje, na primeira semifinal da Chaaaaaaampions! League.

O time de Londres, que perdeu a ida por um a zero, tomou de três no Emirates, que a quinze minutos do fim de jogo, já estava quase vazio.

É bem verdade que um lance de azar de Gibbs, logo aos oito minutos, mudou a história do jogo. Três minutos depois, Ronaldo faria o segundo - e ainda faria outro, no segundo tempo, num dos contra-ataques mais belos e velozes que já vi.

Só de pensar num United x Barça na final, fico arrepiado. O jogo de amanhã, contra o Chelsea, será o penúltimo teste desse super time que consegue botar em campo, ao mesmo tempo, Messi, Eto'o, Henry, Xavi e Iniesta. Uma equipe que já entrou para o meu hall das melhores que vi jogar.

* * *

Só por aqui um time é campeão num domingo, joga a vida na Copa do Brasil na quarta e estreia no Campeonato Brasileiro no domingo seguinte.

Apesar desse ritmo louco do nosso calendário torto, até sexta o TB vai dar sua previsão para o Brasileirão, do primeiro ao último colocado.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Requintes de crueldade.

"Dida, o segundo tempo vai ser pior. O Flamengo ainda vai fazer uns dois ou três..."

Pois é, meu avô, que é botafoguense, me chama pelo apelido de infância familiar, "Dida". Assistiu ao jogo na casa da namorada e falou comigo ao telefone, no intervalo, com ar resignado. "Desse jeito não vai dar pro Botafogo não."

Ainda não conversei com ele depois do jogo. Mas me pergunto, até agora, se não teria sido melhor se as coisas tivessem corrido como ele previu para o segundo tempo.

Em vez disso, o Botafogo teve um pênalti - que perdeu - logo aos dois minutos. Aos dezesseis, diminuiu com Juninho, de falta. E aos dezoito, empatou. Poderia ter feito o terceiro, porque nos trinta primeiros minutos da etapa final, esse Botafogo sem Maicossuel e Reinaldo jogou melhor que aquele Botafogo do domingo anterior. Melhor porque foi mais eficiente, conseguindo abrir o jogo pelas laterais do campo com muito mais facilidade, enquanto, do outro lado, Léo Moura e Juan insistiam e fechar para o meio. Jogou melhor também, o Botafogo, porque o técnico do Flamengo conseguiu mexer no time da pior forma possível, primeiro tirando Erick, que realmente não vinha bem, para botar Obina, que foi dez vezes pior, como era de se esperar. E depois, sacando Emerson, que tinha acabado de criar duas jogadas de gol, para botar Josiel, um dos piores atacantes que passaram pela Gávea nos últimos tempos, tecnicamente falando.

Mesmo assim, jogando melhor, mais arrumadinho, e diante de um Fla sem forças no ataque, o Botafogo parou, lá pelos trinta e poucos minutos. Preferiu abdicar de tentar a vitória e começou o vexatório cai-cai da semana passada, para esfriar a leve pressão rubro-negra no fim, muito mais na base da raça de Ibson e da torcida, que tentavam empurrar o time, do que na competência propriamente dita para fazer o terceiro. E assim, com o Fla tentando o gol até o último minuto, até de mão, e o Bota se defendendo, a decisão foi para os pênaltis.

Antes, vale dizer, mais uma vez, que Fábio Luciano é um péssimo capitão, dos piores que o Flamengo já teve. Nunca quem usou a braçadeira foi expulso tantas vezes em tão pouco tempo de formas tão irresponsáveis.

O sorteio ainda beneficiou o Botafogo, com as cobranças sendo feitas do lado de sua pequena torcida, que se tivesse sentado toda ela nas arquibas verdes, ainda assim teria visto o jogo com conforto.

Quem perdeu os pênaltis do Bota? Juninho, o capitão, e Leandro Guerreiro, símbolo de garra pro time. Dois dos que estavam na decisão do ano passado. Dois que carregavam o peso da escrita em seus semblantes - alguém já viu cara de derrotado maior que a do Leandro na hora de cobrar seu pênalti?

É nesse ponto que eu sempre discordo do Ney Franco, que realmente é sim um bom técnico. Mas não tem coragem. Eu, se treinador do Bota fosse, jamais me fiaria numa decisão por pênaltis, contra o Flamengo, com quatro vezes mais torcida no estádio, depois de dois vice-campeonatos seguidos.

"Ah, mas tem coisas que só acontecem com o Botafogo", ainda vou ouvir muito pelos próximos dias.

* * *

Tri rubro-negro no Rio, com a final mais emocionante de todos os estaduais pelo Brasil (ok, em SC também sobrou emoção, mas quem liga pra times chamados Avaí e Chapecoense?), título invicto para o Corinthians de Ronaldo em São Paulo. Sim, porque Ronaldo parece o dono do clube, agora capaz de criticar tudo e todos sempre (nem o próprio capitão William deu tanta importância ao incidente inflamável na entrega da taça). Ronaldo não deu volta olímpica, correu pro vestiário com medo das "microfonadas" na cara. E ainda reclamou que a imprensa "lhe tirou a oportunidade de viver aquele momento".

Alguém duvida que Ronaldo saia na próxima janela de transferências, caso não se machuque até lá?

* * *

Requintes de crueldade também teve a eliminação dos Bulls no sétimo e derradeiro jogo da série diante do campeão Boston Celtics. Depois de surpreender a todos, vencendo três partidas e ajudando a protagonizar uma das séries de sete jogos mais emocionantes de todos os tempos, com quatro deles decididos na prorrogação (e sete tempos extras no total!), o Chicago perdeu no sábado a chance de fazer história em oito minutos - sete minutos e cinquenta e dois segundos, para ser preciso.

Esse foi o tempo que o time ficou sem marcar uma única cesta de quadra no segundo quarto de partida. Nesse oito minutos, foram apenas dois pontos, em dois lances livres. A vantagem virou desvantagem quando os Celtics fizeram 22 pontos nesse mesmo tempo.

Vinnie Del Negro, Doc Rivers, Ney Franco, Cuca, Mano, Mourinho, Fergusson, Guardiola... e ainda tem gente que acha que técnico é apenas um detalhe.

sábado, 2 de maio de 2009

Jogo Sete

Antes de mais nada, louvada seja a justin.tv. Amém.

Derrick Rose acertou os três primeiros arremessos - um floater, um jump shot da cabeça do garrafão e um gancho com a mão esquerda. O Chicago vence por 13 a 9 mas, ao que parece, Ray Allen vem com tudo de novo hoje - já tem 5 pontos.

Bulls 18 a 16. Rose acaba de dar um toco em Brian Scalabrine sensacional. Pense num daqueles tocos do Lebron, quando ele acompanha o contra-ataque adversário e pega o incauto na tranquilidade da bandeja. Limpo, preciso.

Fim do primeiro quarto, Bulls 27 a 23. Apesar de todas as teorias conspiratórias, Kevin Garnett não saiu miraculosamente do túnel vestindo o uniforme dos Celtics. Ele continua usando um terno no banco. O que não vai significar nada se os Bulls continuarem deixando um branco-azedo-ruivo de braços gordos e flácidos livre pra chutar dos três. Scalabrine fez cinco pontos em dois arremessos sem marcação. Pierce e Allen têm sete cada. Gordon doze, Rose oito (em nenhuma bandeja, só jump shots) e Salmons cinco. Mas a pequena vantagem foi muito em função dos sete rebotes de Joaquim Noah.

O segundo quarto começa com Rose no banco e Gordon marcando cinco pontos rapidamente. Eu lembro que, quando chegou ao Chicago, Ben era um baita arremessador de longa distância, mas que raramente conseguia criar seu próprio arremesso e concentrava a maioria de seus chutes da linha dos três. Hoje, Ben Gordon é capaz de chutar quando quer, de onde quiser. Pena que Vinnie "Ray Charles" Del Negro continue deixando Scalabrine livre pra meter dos três quando os Bulls começam a abrir. Se bem que isso pouco importa, o jogo vai para a prorrogação mesmo...

A cinco minutos do fim, os Celtics passam à frente pela primeira vez desde a primeira cesta, 38 a 36. Eddie House saiu do banco para fazer duas cestas de três, levando a vantagem para 44 a 37. O Chicago parece em pane e o maior sinal disso é a cara de seu técnico na tv. É realmente lamentável que Derrick Rose ainda vá ter que aturar Vinnie por, pelo menos, mais uma temporada. A 3:10 do fim ele finalmente pede tempo, coisa que deveria ter feito quando o placar marcava 41 a 37. Agora é 46 a 38.

E agora, ao fim do primeiro tempo, Celtics 52 a 38. O Chicago passou os últimos sete minutos e cinquenta e dois segundos do período sem uma única cesta de quadra.

E acaba de cair a justin.tv. Maldita justin.tv!

Passei todo o terceiro quarto ouvindo o jogo através de uma webradio de Chicago. Assim como eu, meio mundo deve estar tentando acessar a transmissão via web. Todos os sites congestionados. E a diferença no placar, que era de 14 pontos ao fim do primeiro tempo, caiu para sete quando o relógio marca onze e oito da noite e vai começar o último período em Boston...

AAAAAAAAARF!

Achei o livestreaming de uma transmissão da tv turca. Sério. Os Celtics vencem por 89 a 83, a 5:43 para o fim. Já vi esse filme. Go Bulls.

O relógio marca 1:05 para o fim, o Chicago perde por cinco e eu agora assisto ao jogo em italiano, porque a transmissão turca também travou. Mas Ben Gordon erra no ataque, Pierce faz dois lances livres e a diferença sobe para sete, a 44 segundos do fim. Acabou, eu penso. Hmmm. Dejà vu, eu penso...

Mas não. Ray Allen, numa bobeira de marcação, faz dois a sofre a falta. A vantagem sobe para oito, a 36.6 do fim. Chamem Tracy McGrady, chamem Reggie Miller. O chamem um milagre através de Ben Gordon.

O Chicago faz tudo errado nesse tempo. Depois de um tapinha de Hinrich, que traz a diferença para seis, o time intercepta a saída de bola dos Celtics. Ben se precipita e seu arremesso pra três nem dá aro.

Marbury converte dois lances livres. Ben força outra bola de três sem sucesso. Doze segundos, dez pontos, o banco do Boston já comemora, quando Vinnie pede seu último tempo, numa imagem patética. Vitória dos Celtics, por 109 a 99.

O Chicago perdeu o jogo no segundo quarto horrososo, quando sangrou até a morte sem que seu técnico pudesse fazer nada. Mas chega por hora. Muita queda de sinal, muita imagem travada, muitos palavrões por hoje.