quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Grande Crack Está Próximo

Duas notícias - tanto pelas cifras quanto pelos personagens envolvidos - deixaram claro, nessa última semana, que o esporte já se direciona para novos rumos por conta da crise mundial.

O Chelsea, time de futebol que mais gastou em contratações nos últimos anos, anunciou um prejuízo de 214 milhões de reais - quase 66 milhões de libras - no seu último balanço. E olhe que, nessa conta, não estão os 8 milhões de libras que Scolari ainda vai receber dos blues. Os bolsos de Abramovic parecem mesmo não ter fundos. Desde 2003, quando comprou o clube, o russo já acumula um prejuízo de um bilhão e meio de reais.

Nos Estados Unidos, por sua vez, a toda poderosa NBA anunciou que vai emprestar aos clubes 175 milhões de dólares. Das 30 franquias consultadas, 15 responderam sim à oferta e vão receber, cada, 11,6 milhões. Essse dinheiro suplementará um fundo de 1,7 bilhão de dólares que já garante empréstimos aos clubes usando os contratos de transmissão da liga como garantia.

Alex Martins, chefe de operações do Orlando Magic, um dos times que farão o empréstimo, revelou que o clube da Flórida tem operado com perdas anuais entre 15 e 20 milhões de dólares nos últimos seis anos.

É na NBA que estão os atletas mais bem pagos do esporte.

Nesta temporada, os salários dos mais de 460 homens que jogam/jogaram na liga somam mais de dois bilhões de dólares. Pra ser exato, US$ $2.048.860.079,00. Essa quantia é superior ao PIB de quarenta e duas nações, segundo os números da ONU.

Basta dizer que, numa comparação com o jogador de futebol mais bem pago do planeta, o sueco Ibraimovic, da Inter de Milão, há nada menos que 17 jogadores da NBA que ganham mais.

E poderia ser bem pior. Como todas as ligas profissionais americanas, a NBA adota um teto salarial, que tem como objetivo primário, acreditem, manter a paridade técnica entre as equipes. Sem esse limite, times com maior poderio econômico poderiam simplesmente esmagar os menos favorecidos, contratando a maioria dos melhores (e mais caros) jogadores. E isso não acontece. O teto para a temporada vigente é de 58,6 milhões de dólares, número que vale até a temporada 2010-2011, conforme acordo entre a liga e a associação dos jogadores estabelecido em 2005.

Entre os que apostam que um dia o teto salarial chegará ao mundo do futebol, se engana quem pensa que se trata de uma "novidade". Desde sua estreia, em 1946, a NBA adota o sistema. Naquela temporada, o teto era de 55 mil dólares, com a maioria dos jogadores recebendo entre 4 e 5 mil dólares por ano. Tempos em que uma estrela como Joe Fulks ganhava 8 mil e Tom King acumulava as funções de jogador, diretor de publicidade e manager do Detroit Falcons para receber o maior salário anual da liga - 16 mil e quinhentos dólares.

No ano em que Michael Jordan entrou para a NBA, 1984, quando a liga adotou o modelo atual de cálculos, o teto batia na casa dos 3,6 milhões de dólares. Até 1994, subiu gradualmente entre 1 ou 2 milhões por temporada. Mas naquele ano a liga renovou o contrato de transmissão com a NBC por cifras astronômicas e o teto pulou de 15 para 23 milhões. Por conta de divergências entre jogadores e donos dos clubes em torno do valor do teto, a liga enfrentaria sua primeira greve cinco anos mais tarde.

Apesar do teto salarial, há, claro, situações de exceção. Dezenas, na verdade. Tais brechas permitem, por exemplo, que a folha de pagamento do New York Knicks seja de 97 milhões de dólares/ano (bem superior aos 59,6 que já vimoa ser o teto atual). Como?

Simples. Taxas. Nesse caso, uma de nome bem sugestivo: luxury tax. Que é bem simples: através de complicadas contas de faturamento, a liga estabelece um valor - neste ano, 71,1 milhões de dólares. E para cada dólar gasto acima desse valor, o clube paga outro à NBA. O mais genial: a maior parte desse "caixinha" é divida entre os clubes que não ultrapassam o valor da taxa!

Logo, a regra funciona. Na temporada passada, Apenas oito times a ultrapassaram - e pagaram por isso: Knicks (19,7 milhões de dólares), Dallas Mavericks (19,6), Cleveland Cavaliers (14), Denver Nuggets (13,6), Miami Heat (8,3), Boston Celtics (8,2), Los Angeles Lakers (5,1) e Phoenix Suns (3,9 milhões).

Via de regra, todo general manager recebe orientação direta do dono do clube para não extrapolar e pagar a taxa.

Exceção notória, além dos Knicks (parte de um holding onde dinheiro nunca é problema), é o Dallas Mavericks (do bilionário Mark Cuban), com folha em torno dos 92 milhões/ano.

Mas, na nova economia mundial, não chega a ser surpresa ver que Mr. Paul Allen, indubitavelmente o dono mais poderoso da liga - e um dos homens mais ricos do planeta - tem mantido seu Portland Trail Blazers abaixo da taxa de luxo...

3 comentários:

renato disse...

os eua são um país. um país talvez mais escroto do que eu gostaria que fossem (tudo que é humano é deus e diabo, daí eu criar essa "taxa de escrotidão"), mas um país. e a definição de país aqui é simples: "se for bom para todos, é bom para mim." em lugares que ainda não chegaram a ser país, a idéia é "se for bom para mim, fodam-se todos."

renato disse...

pra diminuir a chatice do carnaval:

http://www.youtube.com/watch?v=gnVoKcwa7Fs&feature=related

Edu Mendonça disse...

Hehehe, muito bom. Aliás, Ali G é muito melhor que Borat.

E sim, são os quatro dias mais chatos e longos do ano - carnaval. Hoje, não deu pra sair de casa sem esbarrar com um bloco ou uma piada do Flamengo.