sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Início, meio e fim.

Há exatos cinco anos eu saía do ginásio do complexo de Helliniko, em Atenas, com um tremendo sorriso no rosto. Havia acabado de testemunhar a vitória da Argentina sobre a Itália, na disputa do ouro olímpico no basquete.

Era um dos eventos mais esperados e disputados dos jogos, pois todos acreditavam que o Dream Team americano estaria na final. Por isso não foi nada fácil entrar sem ingresso, no meio do segundo quarto, mesmo com a credencial de imprensa. Mas na Grécia, como aqui, muita coisa se resolve no jeitinho.

Para mim, que pela segunda olimpíada seguida não tinha o Brasil para torcer, era natural ficar feliz e vibrar por nossos vizinhos. Não só porque a escola argentina sempre me agradou, mas também porque aquela geração, em especial, tinha algo mágico. Que não era o talento incomum de Manu, a garra absurda de Noce ou a inteligência de Scola. O que saltava aos olhos naquele time era o espírito solidário, a união, a quase irmandade entre os jogadores. E as olimpíadas de Atenas, que começaram com o inacreditável - a derrota americana para Porto Rico, bem diante de meus olhos - terminavam com um sentimento imenso de orgulho em ser latino-americano, contagiado, claro, por três quartos pulando bem no meio da apaixonada torcida argentina, que eu bem sei, canta sem parar até em jogo de pólo aquático.

Naquela noite, éramos todos irmãos no basquete.


Eis que hoje, cinco anos depois, a seleção brasileira vence a argentina com autoridade e até sobras, pela Copa América, início do caminho para o tão esperado ciclo olímpico, que continua no ano que vem, com o Campeonato Mundial.

Em quadra, uma geração cada vez mais madura e preparada do basquete brasileiro, com Leandrinho, Ânderson, Tiago, Huertas, Alex. E um adversário desmantelado pelos desfalques de Ginóbili, Nocioni, Oberto, Delfino, Pepe. Nomes que, na Turquia, devem ter seu canto do cisne com a seleção argentina.

Uma troca de guarda. Que nossos moleques, cada vez mais homens, honrem o posto.

* * *

Pra quem não quiser mudar de assunto, vale uma olhada nisto.

Com sua introdução ao Hall da Fama do Basquete cada vez mais próxima, pipocam publicações, homenagens e lançamentos em torno de MJ. E lembranças. Muitas e boas.

2 comentários:

Aparício disse...

Pois é o Brasil tem tudo pra crescer, o time parece estar bem consistente. Tomara que as famosas disputas na federação tenham amenizado, porque isso prejudicou demais o basquete por aqui.
Mas é uma pena que grandes escolas do basquete sul-americano como a Argentina e o Uruguai não estejam tão bem agora.

Edu Mendonça disse...

Pois é, a crise pegou em cheio o basquete argentino, que de uma hora pra outra ficou sem grana pra investir na base, como sempre fez. O resultado é esse time envelhecido. Aliás, acredito que a Argentina, assim como foi conosco, vá viver uma entressafra agora, que pode começar com a ausência no Mundial. Bom pra nós.