segunda-feira, 26 de julho de 2010

O Grande A(r)mador.

Foram dias de coisas de ponta à cabeça.

Na quinta, internação surpresa por conta de um cálculo renal.

Na sexta, ainda antes da endoscopia, tv e web do celular buscavam a notícia. Fui para a sala de cirurgia imaginando como seria a seleção brasileira de Muricy (ok, não pensava nisso). Acordei da anestesia seis horas depois com Mano no comando. Claro, ele e o presidente do Corinthians não recusariam.

Coitado do Muricy. Pagou pela incompetência alheia e pelo complicado jogo de poder que rege o futebol. O presidente da CBF poderia ter feito o convite há dias, antes mesmo de o técnico se comprometer verbalmente com o Fluminense. Em vez disso, o fez sem falar antes com o clube - claro, afinal de contas, o presidente não poderia se rebaixar ao ponto de pedir permissão a um desafeto político - o clube votou contra a chapa de Kléber Leite, homem da CBF, na eleição para o clube dos 13. O presidente do Fluminense, por sua vez - ou como sempre - agiu da forma menos recomendada. Valeu-se de um acordo e do respeito que Muricy tem por sua palavra para, de uma vez só, sacanear a CBF, manter seu treinador e, por tabela, sacanear também Muciry.

"É triste porque é uma oportunidade única, mas procurei ser correto. Eu não disse não, dependia do Fluminense."


Mano - que não tem nada a ver com isso e talvez também não devesse ter com a seleção, ainda - se saiu muito bem no primeiro dia no novo trabalho. Além de termos o retorno das entrevistas coletivas como devem ser, tivemos também uma primeira lista repleta de bons nomes. Um possível time titular poderia ter Victor, Dani Alves, David Luiz, Thiago Silva e Marcelo; Lucas, Hernanes, Ramires e Ganso; Neymar e Pato. Só de ler, dá vontade de ver em campo. Além destes todos, ainda há acertos garantidos como Rafael, Sandro e André. Mano foi inteligente e mostra planejamento. Não apenas chamou sete com idade olímpica mas, entre eles, um que nem mesmo vem jogando no Corinthians, que é Jucilei. Poupou outros, como Júlio César, ainda de férias, e Maicon, que resolve sua transferência com a Inter. No futuro, quem sabe, jogadores como Kléber, Keirrison e mesmo Kaká possam se juntar à essa base.

Não haveria um único Felipe Melo, Josué ou Júlio Baptista neste time.

Não sei se Muricy, na convocação, pelo menos, teria feito melhor.

terça-feira, 20 de julho de 2010

O Importante É Vencer (Será?)

Relendo alguns posts recentes e outros nem tanto, percebi que há um tema aqui nesse espaço tão recorrente quanto o tempo.

A importância da vitória.

Justificativa-mor para algumas das decisões mais equivocadas da história do esporte, a busca pela vitória a qualquer preço também forjou campeões inigualáveis. A obsessão por ser o primeiro une nomes como Jordan, Schumacher, Valentino, Bolt, Phelps, Bernardinho, só para citar os mais dependentes desta condição.

Acabamos de assistir à uma Copa em que a seleção brasileira abandonou suas principais características em função do resultado. Onde a Espanha, que se manteve fiel a seus princípios, provou que aprendeu a vencer sem se violentar. Coisa que a Holanda não entendeu muito bem e, por isso, não só ficou em segundo como terminou deixando péssima impressão - pois achou que, para vencer a final, valia tudo, até mesmo bater muito.

Qual será o ponto de equilíbrio? Se o esporte é a grande metáfora da vida, vale a pena abrir mão das próprias convicções para atingir um objetivo? A jornada não deveria ser tão importante quanto o resultado em si? Ou alguém pensa que uruguaios e holandeses, nesse momento, não se sentem orgulhosos? Mas e os alemães, teriam agora o mesmo sentimento, depois de chegar tão perto em duas Copas seguidas mas... não vencê-las?

Afinal, qual a importância da vitória?

Nesses dias pós-Copa, além do retorno do campeonato brasileiro, temos a definição de como serão as próximas temporadas do futebol europeu e da NBA. Na América e no velho continente, times fazem contas, contatos e mais contas para tentar formar as equipes mais capacitadas para conquistar vitórias e títulos. E nesses gloriosos tempos modernos em que o atleta é dono do próprio nariz, fica muito mais fácil decidir qual prioridade para a carreira. Vitória? Dinheiro? Fama?

Qual terá sido a principal motivação para David Villa ter trocado o Valência pelo Barcelona, por exemplo? Claro que ele ganhará mais fortuna e visibilidade no clube catalão. Mas sabem quando foi a última vez que o Valência conquistou um título? Há seis anos.

E Ibrahimovic, que depois de seguidos scudettos na Itália, viu a Inter ganhar tudo - e por "tudo", leia-se Champions - justamente depois dele sair do clube? Será que o sueco pensa agora em mais dinheiro ou faixa no peito? Mesmo com a chegada de Villa, declarou, na semana passada, que gostaria de permanecer no Barça. Me parece clara sua opção.

No mundo da bola, em que os campeonatos são variados e a chance de sucesso maior, há bolo para todos. Mas na NBA, de apenas um campeão por temporada - e outros 29 times frustrados - a aposta precisa ser certa. Depois de muito suspense, LeBron James e Chris Bosh, duas estrelas da seleção americana campeã olímpica, decidiram não renovar com seus clubes e se juntar a Dwyane Wade no Miami Heat. LeBron e Bosh jamais foram campeões de coisa alguma, tirando o ouro em Pequim, ao lado de Wade. Trocaram salários maiores que poderiam receber nos Cavs e Raptors, respectivamente, pela chance de conquistar o sonhado título, que Wade já tem. Iniciaram, com sua decisão, uma avalanche de outros jogadores que cavam um lugar no time da Flórida, mesmo que ganhando o salário mínimo da liga, em busca do anel de campeão. Em menos de duas semanas, a equipe praticamente foi remontada. Mas não sem a desaprovação de alguns.

"Eu jamais teria chamado Larry Bird e Magic Johnson e dito, ei, vamos nos juntar e jogar no mesmo time. Não posso dizer que é ruim, é uma oportunidade que esses garotos têm hoje. Mas, para ser honesto, eu estava tentando superar aqueles caras."

Nem preciso dizer o autor da frase acima. Mas lembro que, quando LeBron anunciou sua decisão naquele patético programa ao vivo na ESPN americana, pensei: "uau, Jordan jamais teria feito isso". E não me refiro só ao programa.

Agora, mesmo que LeBron ganhe seis títulos da NBA - como MJ - ele sempre terá um a menos que Wade, com quem sempre será comparado, pois se tornaram profissionais no mesmo ano. Mais que isso - todos lembrarão que LeBron precisou da ajuda de outros dois craques para chegar à terra prometida.

Vale tudo pela vitória?

* * *

É necessária uma distinção entre os exemplos que dei.

LeBron, Wade, Villa, Ibra, nenhum desses caras, mesmo querendo vencer sempre, jamais deixou claro ter como motivação o desejo de se tornar o maior de todos os tempos.

Coisa que Jordan, Schumi, Valentino, Bolt, Phelps e Bernardinho sempre demonstraram ao longo de suas carreiras - e acabaram conseguindo.

Algo que Ronaldinho Gaúcho, no auge, não quis. Contentou-se com as vitórias - todas as possíveis, é verdade - que já tinha alcançado.

* * *

É o que falta, também, a atletas como Valtinho. Ontem, o armador, que acaba de trocar o Brasília por Uberlândia, onde teve a melhor fase de sua carreira, mais uma vez abandonou a seleção brasileira. Na verdade, nem mesmo chegou a ser apresentar ao grupo, no Rio. Mas "abandonar", no caso, é o verbo mais preciso.

Não é a primeira, nem a segunda vez que Valtinho, um puta cara e baita jogador, demonstra total desapego ao orgulho que deveria ser vestir a camisa da seleção brasileira.

Mas, certamente, foi a última.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Tic Tac


Eis que, de repente, passou mais uma Copa.

No fim das contas de um Mundial em que faltou gol e sobrou emoção, Espanha e Holanda acabaram chegando à final. E eu, que pela primeira vez na vida não torci pela seleção brasileira, vi minha favorita Argentina ser eliminada como alguns imaginaram, pela falta de um técnico de verdade. Como nós, aliás.

Um Espanha x Holanda era promessa de uma decisão e tanto. E foi, pelo peso do jogo, pela tensão, pelas defesas de Casillas, pelo passe do Cesc Fábregas para o gol de Iniesta, pela bela emoção que tomou conta de todo o time espanhol, antes mesmo do apito final. A Espanha é, hoje, o antídoto para tudo o que há de ruim no futebol. Não só aprendeu a vencer finais - provando que ainda pode-se conquistar títulos jogando sempre em busca do gol -, como foi a mais disciplinada da Copa. Nada mais merecido que esta vitória espanhola, pelo seu significado para o futebol e também como um prêmio ao modo como os espanhóis jogaram o jogo. Bem diferente dos holandeses, prima-donas arrogantes que foram, sobretudo após nos eliminarem.

Hoje, Johan Cruyff - ídolo - disse as seguintes:

"Esse estilo de futebol feio, vulgar, hermético e pouco atraente pode até os ter deixado satisfeitos, mas eles terminaram perdendo. A Holanda jogou o antifutebol. Dois jogadores deveriam ter sido expulsos de imediato. Foram duas entradas tão duras que até eu senti a dor."

Chegamos à era do mega-híper-super-slow, onde até as falhas de caráter ficam claras aos olhos do mundo. Essa geração holandesa, que cresceu ouvindo histórias sobre o jogo bonito de Cruyff, Neskens, Rep, acabou achando que tinha que baixar o cacete para ter destino diferente daquela. A não expulsão do De Jong, no lance com Xabi Alonso, aos 28 do primeiro tempo, foi um absurdo como poucos. Van Bommel também deveria ter ido pra rua. E é inacreditável que ele só tenha recebido dois amarelos em toda a Copa.

"Na última quinta-feira me perguntaram: 'Podemos jogar como o Inter de Milão? Podemos travar a Espanha da maneira que Mourinho eliminou o Barça?' Disse que não, de forma alguma. E disse não porque detesto esse estilo, mas também porque pensei que a Holanda não se atreveria e que não renunciaria ao seu estilo. Estava errado. É certo que eles não se colocaram colados à sua área, mas também não quiseram a bola e, lamentavelmente, tristemente, jogaram muito sujo."

Cruyff vê o futebol de forma clara como via espaços no campo.

E a Copa de tantos lances sensacionais, de dois personagens centrais a milhares de quilômetros de distância - um polvo e uma paraguaia, que dupla - terminou com um final feliz. Os mocinhos venceram. E o futebol pra frente, bonito, bem jogado por espanhóis, alemães e uruguaios, principalmente, mas também por argentinos, chilenos e até japoneses. E apesar da Holanda, quem diria.

Para mim foi uma Copa única, também, por ter sido a primeira em uma nova casa, após quatorze anos. Uma proposta diferente, de misturar as coisas, futebol e arte com música, grafite, charge e até repente e poesia.

E tudo se mistura naturalmente, sem que se precise forçar nada, quando a intenção é boa - foi o que aprendi.

E me surpreendi, no fim, com uma constatação. Há um sentimento diferente quando se trabalha na tv pública. Algo genuíno e prazeroso.

* * *

E não é que LeBron foi pro Miami Heat? Junto com Bosh, pra jogar com Wade?

Além de demonstrar uma megalomania jamais vista, que deixou contra ele a cidade de Cleveland e quase totalidade da mídia, James mexeu com uma ferida america. Dan Gilbert, donos dos Cavs, soltou uma carta em que esculhambava o ex-astro do time, chamando-o de traidor e incitando a torcida contro o ex-ídolo. Logo o reverendo Jesse Jackson, ícone da luta por direitos humanos, respondeu com uma carta aberta em que classifica a atitude do bilionário Gilbert de racista.

"Ele fala como se fosse dono do LeBron e não dono do Cleveland Cavaliers. Seus sentimentos de traição personificam uma mentalidade senhor-escravo. Ele vê LeBron assim. Esta é uma relação dono-empregago, entre partes profissionais, e LeBron honrou seu contrato."

É verdade.

Não achei nenhum negro em vídeos como esse.

O reverendo só não cita que se LeBron tivesse anunciado sua decisão num comunicado oficial ou mesmo através de uma entrevista coletiva, nada disso estaria acontecendo.

No programa - por vezes constrangedor - de uma hora transmitido ao vivo pela ESPN - a terceira maior audiência esportiva na tv a cabo americana em 2010 - LeBron pagou um mico histórico e enfureceu muita gente.

E mesmo que venha a ganhar títulos com seus amigos na ensolarada Miami, sempre será lembrado que ele precisou formar sua panela para chegar lá.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Nenhuma surpresa.


Caímos nas quartas, como em 2006.

Na Alemanha, éramos favoritos absolutos e perdemos por culpa da soberba e falta de profissionalismo de alguns, além de uma falha em lance de bola parada.

Agora, na África do Sul, éramos pragmáticos, eficientes e ainda favoritos, mas perdemos com direito a chocolate no fim e nova falha num lance de bola parada.

Além deles, claro.

Dunga e Felipe Melo.

Um jamais deveria ter sido o técnico da seleção brasileira. O outro jamais deveria ter vestido sua camisa.

"Alguém duvida que ele continuará chamando também Gilberto Silva, Josué e o HORROROSO Felipe Melo, motivo de piada na Itália e símbolo da crise por que passa a minha Juve?". Isso foi em 9 de fevereiro passado.

"Felipe Melo não pode ser titular da seleção brasileira. Do toque irresponsável de calcanhar no primeiro tempo à sua falta de urgência para voltar neste mesmo lance, passando pelas bordoadas, pelo pênalti infantil e pela expulsão merecida, tudo que se viu ontem em campo foi o verdadeiro Felipe Melo, aquele que qualquer torcedor de arquibancada do Maracanã até hoje se pergunta como pode ter enganado tanta gente - Dunga, Juventus, crônicos esportivos... Que a suspensão dele abra vaga para novos nomes, como Lucas, ou novas idéias, como Elano na posição de segundo volante." Esse post é de 10 de setembro, depois da vitória sobre o Chile, pelas eliminatórias.

Curiosamente, eu abri este mesmo post elogiando Dunga.

"Quem diria que, depois daquele jogo insosso contra a Argentina - apesar da vitória - a seleção brasileira me surpreenderia tão positivamente diante do Chile, já classificada, cheia de reservas, e jogando debaixo de chuva. Não só a seleção, mas, principalmente, Dunga. Quem ganha tempo lendo o Tudo Bola já sabe - eu não aprecio o ténico Carlos Caetano Bledorn Verri, assim como não apreciava o volante. Com a bola nos pés ou a prancheta na mão, seu estilo truculento e pouco cerebral jamais me cativou."

Hoje, perdemos por uma série de fatores. Quase todos relacionados aos dois. Que, curiosamente, são imagem e espelho um do outro. Uma síntese perfeita do que eu penso sobre essa seleção brasileira - a mesma que Cruyff não pagaria pra ver.

Fomos melhores no primeiro tempo, sim. Marcamos bem o adversário - ao melhor estilo Dunga - e marcamos o gol num lance genial, um passe à la Zico de Felipe Melo para Robinho. Mas só tivemos mais um bom lance, num chute de Kaká. Desde a abertura do placar, era evidente que a seleção, essa seleção, estaria mais preocupada em defender. Além de reclamar, claro. Em campo, o destempero de Robinho, Felipe Melo, Maicon e Kaká era outro reflexo do técnico à beira dele. Dunga chegou a ser interpelado pelo quarto árbitro e reclamava tanto de cada falta marcada pelo juíz japonês, que a FIFA simplesmente não o mostrou mais após o segundo gol da Holanda.

Técnico de pelada é assim. Muito mais importante no trabalho de pressionar o juíz do que na armação da equipe. Mas Copa não é pelada. E Dunga não é técnico, nunca foi. Por isso, após o gol de Sneidjer, a Copa acabou para o Brasil. Viramos um bando, sem nenhuma tentativa de jogada, só chutões e lançamentos equivocados enquanto Kaká, pela esquerda, pedia desesperadamente a bola mas não se movimentava para recebê-la. Aliás, nada se viu de guerreiro neste time, que nos 27 minutos após ficar em desvantagem correu menos e mostrou menos vontade que o adversário. Dunga fez o óbvio, tirando Michel Bastos para evitar sua expulsão e lançando Nilmar, sua única real opção para mudar o time no banco - o que é culpa única dele, que convocou mal. E demonstrou ser tão medíocre na função que, mesmo perdendo, mesmo correndo menos, mesmo com Gilberto Silva visivelmente esgotado em campo, simplesmente não usou sua terceira substituição, nem que fosse apenas e tão somente para ter um homem descansado em campo num momento em que jogávamos com um a menos e perdíamos. E aí chegamos ao Felipe Melo.

"Copas são ganhas e perdidas em detalhes". Isso hoje saiu da boca de Dunga, de Júlio Cesar e de Kaká.

Hoje os detalhes de nossa derrota foram:

- um gol contra de Felipe Melo, num lance em que Júlio Cesar até pode ter falhado, mas foi claramente atrapalhado pelo companheiro - afinal, é ele quem toca por último na bola e tromba com o goleiro.

- um gol de cabeça de Sneidjer, de 1,70m, num lance de escanteio em que Luis Fabiano não cortou a bola do primeiro pau - função que na Copa passada cabia a Adriano e, geralmente, cabe mesmo ao centro-avante - numa falha de marcação de... Felipe Melo, que fica parado a dois metros do holandês, nem pula com ele, nem consegue reagir a tempo para interceptar a cabeçada. Ou seja, não marca seu homem num lance de escanteio.

- a expulsão de... Felipe Melo, seis minutos depois do segundo gol holandês, acabando de vez com nossas chances e, pelo que pareceu, com qualquer espírito de reação do time.

Baixamos a cabeça. Paramos com a ótima marcação do primeiro tempo. Jogamos de forma absolutamente desorganizada, sem criar um único bom lance em 27 minutos, com exceção de um chute de Lúcio e uma bola cruzada na pequena área holandesa - mas foram dois lances isolados, originados de bola parada.

Foi a Holanda que fez, nesse tempo, o que o Brasil deveria ter feito após seu gol. O time laranja partiu pra cima, buscou mais um. Esteve duas vezes na cara do nosso goleiro, como se jogasse um rachão de fim de churrasco. Como afirmou seu técnico, poderia mesmo ter feito quatro ou cinco.

E a primeira seleção brasileira em Copas que tinha como característica fundamental jogar no contra-ataque fica pelas quartas.

Dunga e Felipe Melo ficam para a história assim como Barbosa, Toninho Cerezo, o próprio Dunga e Lazaroni, Roberto Carlos...

Que a próxima seleção brasileira me faça ter um pouco mais de orgulho do nosso futebol, por favor.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Amanhã É O Grande Dia


Foram anos de espera.

Para alguns times, dois, três. Tem quem espere há quatro. Quatro anos planejando cada passo em função de uma data.

Primeiro de julho de 2010.

É o dia em que LeBron James, Dwyane Wade, Chris Bosh, Amar'e Stoudemire, Dirk Nowitzki, Joe Johnson e Paul Pierce estarão todos desempregados, livres para negociar com quem tiver mais espaço dentro do teto salarial da NBA, que é de pouco mais de cinquenta milhões de dólares.

New York Knicks, New Jersey Nets, Chicago Bulls e Miami Heat, nessa ordem, estão em melhor posição para tal. Todos tiveram campanhas pífias ou no máximo ordinárias durante esse tempo. Dispensaram bons jogadores para que seus salários saíssem da folha. Por vezes, trocaram talento por papel. Se planejaram de tal forma que, nesse momento, mal teriam time para por em quadra - o Heat tem só dois jogadores sob contrato. E Wade não é um deles.

(Essa é uma faceta que só aumentou o zum-zum-zum-quase-novela em torno do destino dessa gente talentosa nos últimos anos. Para cada desempregado amanhã, haverá uma cidade inteira rezando para não perder o maior ídolo. Cleveland, sem LeBron, volta a ser uma cidade irrelevante na América. Toronto, sem Bosh, pode ver o basquete perder fãs e dinheiro. Só o povo de Miami não se preocupa muito, pelo contrário, está otimista. Wade já disse que quer ficar - embora não vá deixar de ouvir as ofertas. E o Heat tem a folha quase limpa, o que o torna um dos mais fortes candidatos a ter, quem sabe, Wade, LeBron e Bosh juntos.)

Cada uma das "cidades canditadas", quer dizer, dos times pretendentes promete uma verdadeira "corte" ao craque. Nessa hora, ex-jogadores e gente famosa entram no circuito, fazendo o lobby pela equipe e, principalmente, pela cidade, pela capacidade de gerar dinheiro que cada mercado tem - ponto para Nova Iorque. A expectativa é que os principais jogadores resolvam seus destinos logo na primeira semana. Por isso, até donos de times estarão voando pela América hoje à noite. O frenesi começa à 00:01.

O mais interessante é que, depois de dois anos exaustivamente falando sobre o assunto, ninguém sabe para onde cada um vai. Nem o torcedor comum, nem os altos executivos que trabalham nessas empresas - porque cada time é uma empresa, com dono - e quebraram a cuca nos últimos anos bolando planos mirabolantes para, literalmente, estarem quase sem time neste momento. Foi assim da última vez, quando Kobe, McGrady e Hill - ainda inteiro - ficaram desempregados juntos. Teve time ficando na mão, como os Bulls, e time se dando bem aparentemente, como o Orlando (porque Hill sofreria com contusões e McGrady, mais tarde, também).

Quem sairá vencedor agora? Os Bulls, com sua tradição? O Heat, com sua quente Miami? Cleveland teria alguma chance de manter LeBron? (Não) Os Knicks, formando um trio de super-stars na capital do mundo? (Difícil, pois para que isso aconteça, todos teriam que reduzir seus salários. E aí chegamos à questão do dinheiro.)

LeBron, Bosh e Wade podem receber um salário máximo de 16,5 milhões de dólares. Segundo a escala da NBA, que leva em conta o tempo como profissional, Stoudemire pode pedir ainda mais, 18,7 milhões, enquanto veteranos como Dirk e Pierce podem atingir a cifra de 20,7 milhões por ano. Será mesmo que estariam dispostos a reduzirem seus salários para formar um time mais forte? Tirar cerca de cinco, seis milhões por ano do bolso?

Dirk e Pierce devem renegociar novos contratos com Dallas e Boston, seus atuais times. Talvez até possam reduzir um pouco suas pedidas para que o time tenha flexibilidade para trazer reforços.

Mas James, Bosh, Wade e Johnson têm se encontrado nos últimos dias para discutir o futuro.

(Como se Messi, Cristiano, Kaká e Rooney pudessem, um dia, ter uma conversa assim:

- Barça! Venham todos, a cidade é sensacional, jogamos pra frente e a torcida os amará!
- Sim, sim, e Pep vai poder escalar a todos nós!
- Ouviu, Kaká? Real Madrid tá fora, Mourinho vai botar um de nós no banco e fazer os outros três marcarem.
- Deus saberá escol...
- Cala-te!)

Deve ser mais ou menos o mesmo. Cidade, tradição, noite, clima, mulheres, dono do time, técnico, o time em si - o Chicago, por exemplo, já tem Derrick Rose, Luol Deng e Joaquim Noah, uma base melhor que qualquer outro possa oferecer. Jovens entre 25 e 28 anos decindo onde vão morar, enriquecer, serem idolatrados e jogar basquete.

É claro que ninguém poderia saber o que vai acontecer.

E prometem ser divertidos esses capítulos finais.

domingo, 27 de junho de 2010

A Dona FIFA Deveria Aprender Com A Senhorita NBA.

Não vou falar aqui sobre o que aconteceu ontem, em Bloemfontein, nem fazer paralelos com o lance quase idêntico ocorrido no Wembley, em 66, na final daquela Copa. Não há discussão, só a frieza dos fatos - no passado, a bola não entrou, mas tivemos o gol. Agora, ela passou 33 cm da linha, mas o placar no Free State Stadium permaneceu inalterado.

Não me parece possível que, depois desta, o International Board da FIFA permaneça irredutível quanto ao uso da tecnologia para elucidar este tipo de lance. Mesmo tendo, em 6 de março passado, se reunido exclusivamente para isso e, novamente, resistido ao fato de que o tempo não para.

Primeiro foi a NFL, a liga de futebol americano, que deu o direito aos técnicos de questionar dois lances duvidosos por jogo; as zebrinhas corriam para a lateral do campo, analizavam as imagens e anunciavam a decisão, por um microfone, para todo o estádio.

Depois foi a NBA, que instituiu o recurso do vídeo-tape para solucionar lances duvidosos nos minutos finais das partidas. E, nas finais deste ano, entre Celtics e Lakers, a nova regra se mostrou valiosa, sendo aplicada em praticamente todas as sete partidas. Vale ressaltar seu caráter específico para o basquete - o videotape não é usado para esclarecer, por exemplo, se houve uma falta em determinado lance. As marcações dos juízes continuam soberanas. As imagens servem, justamente, para saber se uma bola quicou ou não na linha, tocou ou não no aro, bateu na mão de um ou outro jogador antes de sair...

Ou seja, dúvidas parecidas com a de ontem.

Os puristas - ou os velhinhos da FIFA - podem argumentar sobre a questão da emoção ou mesmo do benefício de polêmicas como estas para o futebol. Ou ainda sobre os efeitos que paralizações para a checagem do videotape poderiam surtir sobre o jogo.

Para todos esses argumentos e retrógrados, eu deixo uma só pergunta:

E se Inglaterra e Alemanha, ontem, estivessem novamente decidindo uma Copa do Mundo?

Já imaginaram o tamanho da vergonha?

* * *

Tive a informação sobre o goleiro Bruno na sexta-feira. Vi a cara de incrédulo de meu irmão quando lhe contei, no sábado. Hoje, a notícia está em todos os jornais do Rio.

Não me admiro, sinceramente, se a agora provável denúncia da polícia tiver fundamento. Bruno é autor de uma das frases mais infelizes dos últimos tempos, a famosa "quem nunca bateu numa mulher?", proferida simplesmente na véspera do dia internacional delas.

Penso que o caso não seja apenas de polícia, entretanto. É caso de vergonha para um clube que, há tempos, se transformou na casa-da-mãe-Joana. E que, agora, busca reencontrar, com Zico, uma identidade perdida lá pelo início da década de noventa.

Rezemos para que a moça apareça e bem.

E para que o novo Flamengo não tenha mais gente deste tipo vestindo sua camisa.

sábado, 26 de junho de 2010

Começou a Copa.

Uau, finalmente.

Chega de jogos como Argélia x Eslovênia, Nova Zelândia x Eslováquia ou Suíça x Honduras. Eu preferia a Copa com 24 seleções.

Chega também da França, com toda a loucura de Domenech (a quem Zidane chamou de, no máximo, "selecionador", nunca "técnico") e também da Itália, que até tinha treinador, não tinha mesmo era craque. Terá sido castigo pela final passada, a mais sem graça desde aquele empate sem gols de 94? Ou apenas soberba?

Agora, ao menos, temos a emoção dos jogos eliminatórios. Não acordei a tempo de ver a classificação uruguaia, culpa do Repórter África. Mas assisti a Gana eliminar os Estados Unidos numa partida muito boa, com direito a gol na prorrogação. Pena para os americanos, que até então tinham protagonizado o momento mais emocionante da Copa, com a classificação para as oitavas no último instante. Mérito para os africanos, pela primeira vez nas quartas.

Amanhã, um cardápio que não deve se repetir mais - num mesmo dia, o duelo entre ingleses e alemães e ainda a Argentina, de Maradona, novamente enfrentando o México, como em 2006. Apelo da tradição e de nomes de peso no primeiro e do melhor futebol praticado até aqui no segundo. E ainda por cima num domingo, para que o país não precise parar para ver.

Na sequência do feriadão, por falar nisso, tem Brasil mais uma vez. Agora pra valer. Com Kaká, com Robinho. Mas, talvez, também com Gilberto Silva e Josué. Favorito absoluto contra um Chile que tem em seu técnico a maior ameaça. Bielsa não é Dunga. É técnico de verdade. Que sabe explorar as deficiências do adversário, que soube levar o Chile à Copa com tranquilidade e autoridade. Que não se iludam os que acreditam no título. A partir de agora, a caminhada é árdua e não permite mais tombos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ou Estou Ficando Velho Ou A Copa Não É Mais A Mesma.

Uau, dia de estreia do Brasil em Copa.

Eu acordei atrasado e morto para o primeiro trabalho do dia - a que não fui. Sorte poder. Mais três horas de sono, até o meio-dia. Desperto com aquele joguinho chato entre Portugal e Costa do Marfim. Tinha outras três horas livres até o jogo.

Pois eu li muito sobre as finais da NBA. Eu lavei louça. Até roupa. Ouvi Doors e Nirvana. Tudo, claro, ao som de um vizinho qualquer que devia achar-se sul-africano, soprando uma vuvuzela ou similar a todo instante.

Era o que me lembrava do jogo.

É muito única essa relação com Copa do Mundo quando se trabalha com esporte. Via de regra, o profissional de jornalismo normal, principalmente se for homem, sonha cobrir uma. Mulheres sempre me mostraram ter um encantamento maior pelas olimpíadas, embora também conheça vários amigos que as prefiram. Eu fico com elas, muito por conta do basquete. Enfim, época de Copa é época que marca, dias e situações que se tornam memórias sempre muito frescas na cabeça de quem as vive. Eu já cobri uma, na Coreia, e trabalhei aqui em outra, na França. Na da Alemanha, fui espectador. A dos Estados Unidos se deu pouco antes de minha entrada no Sportv, com o teto próximo a uma das janelas da acanhada redação ainda manchado pelo champanhe estourado semanas antes.

No caminho até a TV Brasil, máquina numa mão registrando ruas desertas e volante na outra, pensava em como a estreia de hoje, ao contrário de todas as outras que vi, desde a da Espanha, não era capaz de mexer comigo. Ok, botei minha camisa amarela do Galinho, achei bacana a redação enfeitada e todo mundo na torcida. Mas eu não consigo. Eu não me identifico em nada com essa seleção brasileira e realmente acho que um eventual título pode ser maléfico para o futuro. Seria a vitória de uma maneira de pensar o futebol com a qual não concordo. A corrente de pensamento meso-militar-meso-religiosa que escala uma seleção brasileira, contra a Coreia do Norte, com um meio-campo que tem Gilberto Silva, Felipe Melo (!) e Elano. Que vai para o intervalo empatando por zero a zero. Que marca um gol meio espírita - embora Maicon tenha chutado de forma consciente - e outro num lampejo de Robinho completado com muita categoria por Elano. E ainda toma um gol da Coreia do Norte. Houvesse mais tempo de jogo, talvez ainda tomássemos pressão.

Se meu time jogasse assim, com toda essa precaução contra um adversário notoriamente mais fraco, eu já ficaria puto. Por que haveria de gostar de uma seleção brasileira assim?

Existem hoje dois caminhos para o futebol. Recuperar a arte de antigamente, quando se jogava pra frente, em busca do gol. Uma época em que perder um jogo era perder um jogo - e não lidar com possívels consequências que envolvam milhões de dólares. Parece romântico desprezar a realidade, mas é exatamente o que o Barcelona faz hoje em dia, graças a Pep Guardiola, discípulo da escola que Cruijff implementou no Barcelona, fazendo todos os times, da base ao profissional, jogarem da mesma forma - pra frente. Com esse pensamento, o Barça venceu e perdeu, é a vida. Mas se tornou a referência de bom futebol que é hoje.

O outro caminho é triunfar, como na última Copa, com um futebol defensivo. Calcio. Primeiro defender, depois atacar. É o time de Dunga. Quatro defensores – sem esquecer que os laterais de Dunga guardam posição e só sobem de forma alternada – e mais três volantes preocupados, antes de tudo, em proteger a defesa. “Um time que é mortal no contra-ataque”, dizem muitos. Eu acho uma vergonha para o futebol brasileiro.

Resultado, eu quero do meu time. Da seleção eu quero bola.

Só que essa não tem.

Se vai ser hexa, isso é outro post.

* * *

Hoje eu li, não me lembro onde, algo sobre a “incrível” audiência que os jogos da Copa estão tendo nos Estados Unidos – a estreia da seleção da casa, contra a Inglaterra, teve índice maior que os quatro primeiros jogos das finais da NBA. Ainda lembrava que, pelo fuso, os jogos do mundial passam à tarde, enquanto os de basquete são realizados em horário nobre. Concluía que, apesar dos números, futebol ainda é coisa de "imigrantes latinos" na América.

Visão tão preconceituosa quanto torta.

Os Estados Unidos são a nação que mais recebe imigrantes no planeta. Por ano, os EUA admitem mais novos residentes legais do que todos os países do mundo juntos. Estima-se em quarenta e dois milhões de imigrantes de primeira geração atualmente no país.

Se a audiência estimada da estreia dos EUA foi de 17 milhóes de pessoas, isso significa que bastaria menos da metade da população de imigrantes ter assistido à partida. Só que menos da metade dessa população é composta por latinos.

Futebol é o esporte do planeta. Nos últimos dias, ruas ficaram desertas pela Alemanha, Holanda, França, algumas até no Japão – como as que vi hoje. E pelas principais cidades americanas, onde os Índices de audiência recebem mais peso, milhões de alemães, franceses, holandeses e japoneses pararam para assistir suas seleções.

E brasileiros, claro. Alguém imagina um único que more nos EUA e não tenha vestido a camisa e torcido pela seleção hoje, mesmo com aquele futebolzinho modorrento?

domingo, 6 de junho de 2010

Os 12 Trabalhos de Zico.

O futebol não para. Neste fim de semana tivemos a sétima e última rodada do Campeonato Brasileiro antes da Copa. Que começa na próxima sexta e acaba num domingo, dia onze. Na quarta, dia 14, já acontece a oitava rodada, que para alegria do carioca terá mesmo um Flamengo x Botafogo no Maracanã.

Que Flamengo será esse, é a grande pergunta que a torcida rubro-negra se faz depois da inacreditável derrota para o Goiás. Tivesse vencido, o time poderia até mesmo passar esse mês de paralização num ambiente de paz e otimismo. Mas seria uma situação enganosa. E o que o Flamengo precisa, nesse momento, é admitir, como nunca antes, sua real condição.

Depois de uma espera de dezesete anos, o clube conquistou um improvável Hexa. Improvável e, por que não dizer, oportunista. Campanhas de anos recentes tinham sido até mais sólidas, faltando fôlego ao longo do caminho. No ano passado, mesmo com algumas derrapadas no fim - a mais notável delas, ironicamente, contra o Goiás - o time foi firme na reta de chegada. Time de decisão, como manda a tradição rubro-negra. E que ainda contou com uma conjunção dos astros favorável, que manteve, durante um determinado período, Adriano na linha, Pet em forma e motivado e o time, de modo geral, confiante.

Isso pode levar outros dezesete anos para acontecer. Ou nem se repetir.

A realidade atual é que o time do Hexa acabou. Uma geração vitoriosa parece ter encerrado seu ciclo na Gávea. Além disso, Adriano já foi. A Pet, mesmo ficando, não pode caber a responsabilidade pelo sucesso. Essa responsabilidade, agora, caberá a Zico - montar um novo time.

Quem trazer? Ronaldinho, Riquelme? Sério? Quanto tempo a torcida demoraria para pegar no pé de quem só quer bola no pé, como os ex-craques? Quem vender? Kléberson? Fierro, que pode estar sendo trocado pelo carrasco Montillo? E quanto a Bruno e Juan, jogadores que têm mercado e parecem não ter mais clima com a torcida? Léo Moura vai pro meio? E os mais jovens? Os de fora, como Ramon e Michael e os do clube, como Camacho e Diego Maurício?

Rapidamente, onze interrogações num só parágrafo. E Zico ainda tem outras, tão importantes quanto.

A maior delas, o CT. Já é sabido que será prioridade - Emerson, que deveria vir, não virá porque o milhão de dólares pedido pelos árabes é mais importante se investido no centro de treinamento. Dotar o clube de uma estrutura profissional de ponta - que ele não tem - é o primeiro passo para um novo Flamengo. Que não deve - ou deveria dizer logo não vai - brigar pelo título brasileiro. Num planejamento de três anos, tempo em que Zico estará à frente do comando do futebol do clube, é preciso estabelecer prazos, metas, um cronograma. E dentro da realidade atual, pensar no Hepta seria incoerente e enganoso. Coisas que o Galinho nunca foi. Palpável, sim, seria remontar esse time com o objetivo de uma nova participação na Libertadores, no ano que vem. Palpável e difícil, diga-se. Mas dentro de todas as especulações que prometem marcar o mês de junho por essas bandas, tudo é possível.

* * *

O TB andou meio parado, com motivo - estreia nesta quinta, às onze da noite, na TV Brasil, o programa "Repórter África - Copa 2010", uma revista eletrônica sobre o Mundial da África do Sul que pretende lançar um olhar diferente sobre a Copa, numa tabelinha entre futebol, música, cinema, literatura e arte - sem deixar de lado o que será notícia nos gramados sul-africanos. Promete.

terça-feira, 25 de maio de 2010

LOST

Não, eu não vou escrever sobre a série do J.J.Abrams, a que eu parei de assistir ao fim da terceira temporada, quando soube que haveria mais três.

Mas vou usar seu principal argumento - a existência de realidades paralelas - para imaginar uma em que, vejam só, Adriano, atormentado ex-atacante da seleção brasileira, é amigo de Steve Nash, armador do Phoenix Suns. Nash é peladeiro, fã de futebol, já até viu jogo no Maracanã... vamos conceber que eles tenham se conhecido nessa visita do canadense ao Rio e se tornado grandes amigos, desses que se falam ao telefone toda semana:

ADRIANO - E aí, parceiro? Tô ligando pra saber como é que tu tá, fiquei sabendo aí que se contundiu...

NASH - Pois é, man, nada demais. Terminei de quebrar meu nariz domingo, numa trombada com o Fisher, dos Lakers...

ADRIANO - Pô, que azar, quebrar o nariz logo num jogo decisivo, deixar o time na mão...

NASH - Eu não deixei meu time na mão. Na verdade, voltei pra quadra, joguei até o fim, fiz seis pontos nos três minutos finais e ganhamos a partida. Agora tá dois a um pra eles, mas vamos atrás do prejuízo, como vocês dizem aí no Brasil...

ADRIANO - Mas parceiro, tu continuou jogando com o nariz quebrado? Que perigo, cara... Bom, mas basquete dá, né? Se fosse futebol, tinha que sair, como ía cabeçear uma bola?...

NASH - Man, na verdade basquete tem bem mais contato físico que futebol. Toda hora eu estou trombando de cara com um gigante fazendo o bloqueio, fora as cotoveladas... Mas, sabe como é, na hora da decisão, a gente se supera.

ADRIANO - Sei, sei... ano passado eu tive um probleminha parecido... Mas e aí, parceiro, vai ter que operar pra botar no lugar?

NASH - Tive. Foi ontem mesmo. Depois do treino da tarde, fui direto para o hospital, lá botaram a cartilagem no lugar.

ADRIANO - (depois de longa pausa). Peraí. Tu treinou com o nariz quebrado e depois foi direto pra cirurgia? Que isso, parceiro? Tá querendo ser o funcionário do mês do Lakers?

NASH - Eu jogo nos Suns, man. E não se trata disso, mas de respeito com minha torcida e com aqueles que pagam meu salário.

ADRIANO - Ah, mas seu eu ganhasse treze milhão de dólar por ano eu jogava até com bolha no calcanhar...

NASH - Mas você ganha isso, man. Ou ganhava, na Itália.

ADRIANO - Pois é, parceiro, tô voltando pra lá. Pra mim chega disso aqui, dessa bagunça, dessa cobrança toda. Tô me sentindo vigiado, perseguido. Até a torcida andou me xingando, tô na maior deprê por conta daquela vagabunda ainda. Preciso de novos ares, por isso tô indo pra Roma.

NASH - Pro Roma?

ADRIANO - É, pra Roma.

NASH - Mas man... Você sabe que a cobrança lá é maior... e ainda tem a Lazio e sua torcida ultra-racista... fora o imbecil do Totti...

ADRIANO - Alemão tem em tudo que é lugar, parceiro.

NASH - Não entendi.

ADRIANO - Deixa pra lá.

NASH - Bom, então essa semana é de despedida, né? Fiquei sabendo que tem Flu-Fla amanhã.

ADRIANO - Fla-Flu, cara, já te disse que é Fla-Flu. Tem sim, mas não vou jogar não. Sabe como é, numa dessas me machuco, vai que eu quebro o nariz...

NASH - Mas na semana passada você me disse que tinha contrato até dia 31, como fica?

ADRIANO - Ah, não fica. Já avisei que tô fora, nem joguei nesse domingo, mandei um caô. Já era, fui.

NASH - Mas o clube não pode te multar por causa disso?

ADRIANO - Poder, pode.

NASH - (silêncio)

ADRIANO - Mas e você, parceiro? Quanto tempo de molho, agora que operou o nariz?

NASH - Molho?

ADRIANO - É, quanto tempo se jogar basquete?

NASH - Eu entro em quadra logo mais, quarta partida contra os Lakers. É aqui em Phoenix, vamos dar o sangue pra empatar a série.

ADRIANO - Mas e o nariz quebrado e operado, parceiro???

NASH - Nada que uma máscara não resolva, man. Se bem que eu já quebrei-o tantas vezes que acho que vou pro jogo sem nenhuma proteção. Não quero ficar parecendo o Ginóbili...

ADRIANO - Vou pedir pros parceiro tentar sintonizar lá na Chatuba, comprei uma parabólica pro barraco do... deixa pra lá. Bom, bom jogo pra ti, parceirão.

NASH - Thanks, man. Vê se não toma todas aí. E aproveita a vida em Roma, é uma cidade fantástica, repleta de cultura - monumentos, museus, História pra todo lado.

ADRIANO - Pois é, já tô até vendo. Vai ser só eu chegar pra começar a pipocar história pra todo lado...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ele Não Está Sozinho.

Passada mais de uma semana da divulgação da lista do Dunga, ainda é possível sentir a indignação pela ausência, sobretudo, de PH Ganso. O recital de quarta, diante do Grêmio, deve ter deixado o técnico da seleção brasileira furioso. Dunga não gosta de ser contestado e o garoto da camisa dez do Santos só pode estar jogando assim para afrontá-lo, ele deve imaginar.

Mas e nós, a quem Dunga afronta? Com quem reclamamos? Ou será que sequer temos o direito de reclamar? Quem está com nós, como gosta de dizer o treinador?

Eu não consido imaginar o que Dunga lê, a que assiste ou ouve. Por algumas pérolas soltas na coletiva da semana passada, posso até conceber que ele não leia, assista ou ouça nada. Afinal de contas, disse desconhecer o clamor popular pela convocação dos meninos do Santos. "Coisa da imprensa, lobby". Mas se olhasse um pouco além de si, se em vez de raiva tivesse pela tal imprensa respeito e agradecimento até, Dunga se sentiria menos sozinho nessa guerra particular contra todo o mal e pelo resgate do patriotismo perdido por nós, jornalistas e torcedores em geral, que só pensamos em beleza e talento, em detrimento do resultado e do tal comprometimento. Dunga não está só.

Repercutiu muito a lista final da Argentina. Uau, Maradona vai levar seis atacantes, foi o consenso geral. Lá, ninguém ficou muito indignado, como aqui, pois não havia um Ganso, um Neymar. No máximo um Ezequiel Lavezzi, tão mais craque que Palermo quanto Neymar é pra Grafite. Mas o atacante do Nápoli, ex-San Lorenzo, foi cortado - em seu lugar vai o lendário atacante do Boca de Diego, que está com 37 anos. Mais do que fazer média com o clube e a torcida do coração, a convocação de Palermo foi outra alfinetada no desafeto de ambos, Juan Róman Riquelme. Que desprezou a seleção, que é desprezado por Diego, que não fala com Palermo fora de campo... Cenas de um tango que era um tanto previsível quando entregaram o comando da Argentina a seu ídolo maldito e louco. Maradona tem coragem, há que se admitir. Mesmo depois de tantos outros tangos sobre drogas e confusões mil, teve peito de descer de seu lugar no Olimpo - de onde os argentinos nunca o tiraram - para se colocar na posição mais humana possível, a de técnico da seleção nacional. Uma aposta e tanto.

Para registro, Maradona chamou Verón, Messi, Higuaín, Tevez, Aguero e Diego Milito. Convocou pelo talento, tirando o caso de Lavezzi. Por isso, tem mais mérito que Dunga. Mesmo que as preferências deles tenham mais a ver com seus DNAs de craque e carregador de piano.

Na França, menos drama, mais intriga e até mesmo uma pitada de exoterismo. Raymond Domenech simplesmente deixou de fora da Copa os talentos Benzema, do Real, e Nasri, do Arsenal. A imprensa francesa diz que os dois seriam vozes discontentes no vestiário, insatisfeitos com a falta de esquema tático do técnico, contestado também pela torcida. A não-convocação do primeiro nada tem a ver com o escândalo envolvendo prostituição, visto que Ribéry foi chamado e já é réu confesso no caso. Benzema é o maior ídolo da atualidade no futebol francês, apesar da temporada irregular na Espanha (na verdade, o azar do jovem atacante se chama Gonzalo Higuaín...).

Também para registro, Domenech é aquele que foi acusado pelo campeão do mundo Robert Pirés de não convocá-lo porque não trabalha com jogadores do signo de escorpião. Sério.

Quer dizer... Dunga... Maradona... Domenech...

Nem tão sério assim.


O Flamengo?

O Flamengo pode tirar duas lições, agora.

A primeira, sobre como é jogar como o Flamengo. Lembrar disso. Foi só a segunda vez que o Flamengo, como Flamengo, entrou em campo em 2010.

A segunda, que é preciso renovar. Alguns já não tem mais o mesmo comprometimento, já não levam tão a sério. E ficam cada vez mais sem clima com a torcida.

* * *

Grande comercial da Nike pra Copa.

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Personagem É Outro.

Esqueçam a fábula dos anões, apesar do apelido. O técnico da seleção brasileira tem muito mais em comum com aquele personagem carismático de Shrek. Sem a sagacidade e a irreverência, claro, além do carisma.

Se a lista não surpreendeu a ninguém, tirando o Grafite - de quem falarei daqui a pouco - a coletiva que se seguiu foi, no mínimo, impagável. E por aspectos totalmente negativos, vindos de todos os lados.

Dunga é o mais limitado comandante que a seleção brasileira já teve. De longe. Intelectualmente, culturalmente. Foram quase oitenta minutos de amargura, de incontáveis erros de português de toda forma, de pensamentos e tentativas de pensamentos confusos, equivocados mesmo. Dunga tentou falar de ditadura, de apartheid, de lobby, de teorias da conspiração, tudo com o mesmo conhecimento de causa que tem para convocar, escalar e montar o time brasileiro.

Deixou muito claro, claríssimo mesmo, que cada jogador convocado por ele ao longo destes quatro anos teve a sua chance de "mostrar que é jogador da seleção". E isso, para o técnico, envolve uma série de variáveis, sendo jogar futebol de seleção, em si, apenas uma delas. E certamente não a mais importante.

Já no fim da coletiva, foi explícito ao citar os nomes de Carlos Eduardo e Grafite. Para justificar o segundo - que atuou exatos 27 minutos com a camisa da seleção sob seu comando - lembrou que o primeiro, quando convocado, chegou e entrou no grupo "como um veterano", mostrando postura e "vontade" de estar no grupo como tal. "Grafite fez o mesmo", disse ele - "chegou e mostrou que é jogador de seleção".

Ora bolas, em 27 minutos é que não foi. Foi onde, então? Nos treinos? Naqueles treinos do Dunga? Claro que não.

Foi na panela.

Porque muito mais importante para o Dunga do que jogar futebol é ter o perfil do grupo. Que é o perfil dele próprio. Jogadores dispostos a dar o sangue pela camisa, como o Felipe Melo. Que unam os demais e tragam uma atitude positiva, como Josué e Kléberson. Que sejam totalmente disciplinados, obedientes, como Gilberto Silva, como Elano. Atletas que se sacrifiquem, doem pelo time... como Dunga.

Quem coloca o individual acima do coletivo, está fora.

E fora isso tudo, ainda há o fator Atletas de Cristo. Há muitos deles no grupo. Jorginho, braço direito do técnico, é o presidente do grupo no Brasil. Grafite, por exemplo, ainda não é integrante. Mas, na seleção, se reúne para rezar com os demais.

É com esse grupo fechado - que começa lá em cima, com Ricardo Teixeira, passa por Dunga, Jorginho e Américo Faria (que era supervisor da baderna de 2006) e termina com nomes como Felipe Melo, Josué e Júlio Baptista, que a seleção brasileira pode ou não fracassar na Copa. Como pode ou não voltar com o caneco.

O X da questão é o "como". E isso, para Dunga, pouco importa. Importam o resultado, acima de tudo, o comprometimento com o grupo e o tal amor à camisa.

E Lá Vamos Nós.

Dunga perdeu a chance.

Bastava ceder um pouquinho aqui e ali. Deixar de lado, mesmo que brevemente, sua auto-proclamada coerência - que como o craque Tostão escreveu em sua coluna, não é virtude. Tivesse aberto mão de uma ou duas peças que provavelmente sequer entrarão em campo na África do Sul, e teria trazido para si a simpatia e torcida de toda uma nação. Mas não fez isso. E agora vai para a Copa com a cobrança de cento e noventa milhões de pessoas na ponta da língua. Ao primeiro insucesso - possível já na fase de grupos - o coro será ensurdecedor.

Para uma Copa quase militarizada - pelas campanhas publicitárias, mais parece que vamos para a guerra - Dunga manteve sua linha de comando, valorizando conceitos como fidelidade em detrimento do talento. Como eu já havia escrito aqui, achava difícil que ele, no fim de uma jornada de quase quatro anos, levasse quem jamais lhe deu uma gota de suor. Lembrem sempre que Dunga é aquele que, quando levantou a taça, em 94, vociferou palavrões. Um homem ressentido e magoado pelo fracasso de 90, marcado pela alcunha de "Era Dunga". Flagrado pelas câmeras, em 98, dando uma cabeçada no companheiro Bebeto. Alguém que, ainda hoje, precisa provar para todos que é possível vencer dentro de suas convicções, do seu jeito.

E assim vamos para a África do Sul com Josué, Felipe Melo (quantos minutos de mundial até ser expulso?), Gilberto Silva, Júlio Baptista, Kléberson... e até Grafite.

...e sem Ganso. Nem Neymar. Sequer um Ronaldinho Gaúcho.

Dunga foi chamado para "limpar a casa" após a bagunça e o fracasso na Alemanha e "restaurar o amor pela seleção".



Meu amor ela não terá.

Pois temo - temo mesmo - pelo que pode significar para o futebol uma vitória brasileira com um time assim, um pensamento como esse e um "técnico" como Dunga.

* * *

A foto que ilustra este post ilustra também a situação absurdamente parecida com a atual, só que vivida em 1978 - o jovem Falcão, bicampeão brasileiro pelo Internacional, fora deixado de fora da lista da Copa pelo não menos teimoso Cláudio Coutinho. Naquele mesmo mundial, aliás, Menotti também deixou de levar um tal Diego.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Corinthians x Flamengo - Liveblog

Eu não tenho a menor dúvida de que o tempo, hoje, passou mais lentamente.

A ansiedade por um jogo como esse mexe com a cabeça de quem é apaixonado por seu clube, pelo futebol. Desde cedo, ficou claro. E nada foi capaz de controlar a ansiedade. Nem mesmo o futebol dos outros. A Inter, de Mourinho, campeã da Copa Itália, ma fazia pensar o quanto o Flamengo vai ou não jogar atrás hoje. A decepção da torcida do City, que perdeu a vaga na Champions do ano que vem nos minutos finais contra o Tottenham, me causou calafrios. Por conta de uma virose, ainda fui forçado a ficar em casa, impossibilitado de uma volta para espairecer. Tentei ocupar a mente com tarefas como organizar a bagunça dos HDs, renomeando filmes da Monica Mattos e unzipando toneladas de músicas baixadas e esquecidas (como é bom Black Rebel Motorcycle Club!). Nada funcionou. Nada.

Mas finalmente vai começar. O juiz apitou.

• E começou mal. Cléber Machado. Meu Deus. Pelo menos tem Júnior e Casão.

• Ainda bem que essa bola sobrou pro Gordo.

• Ronaldo já perdeu um gol, Adriano, o tempo de uma bola. E os dois perderam o bonde da seleção. O Corinthians já deu três chutes pra gol.

• Juan, você é moleque!

• A expressão "caiu de maduro" acaba de virar "caiu de gordo"...

• Barreira de quatro, ninguém teve coragem de ficar na frente da bola chutada pelo RC... e o Corinthians finaliza pela sétima vez com Dentinho...

• Bem, Deivid fez o que os corintianos tentaram oito vezes e não conseguiram. Um a zero, agora começa outro jogo - espero que o Flamengo jogue como o Flamengo.

• Ronaldo, hoje, deve ter uns 15 cm de impulsão. Mais um gol feito perdido na conta da balança.

• Havia só Deivid e Ronaldo na área do Flamengo. Deivid acha que, numa situação dessas, tem que marcar a bola. Falta QI a esse time do Flamengo. E o Corinthians abre dois a zero logo após o Fla perder duas chances de ouro, uma com Love, outra com Adriano. De qualquer maneira, o rubro-negro só precisa de um gol.

• Fim do terceiro tempo. Pet, por favor.

• Kléberson? Kléberson??? KLÉBERSON?

• Bem, chegou a hora de Kléberson carimbar seu passaporte para a Copa.

• Kléberson! Que bola! Que visão! Que categoria!

• Será que o Júnior vibrou na cabine da Globo?

• O Corinthians esmoreceu, dá até espaços na marcação. O Fla melhorou a sua. O problema é que um gol, pra qualquer lado, praticamente decide o jogo. Lembra do dia, que passou lentamente? Imagine os 25 minutos finais como passarão...

• Entrou Iarley. Pela primeira vez agradeço por ser o horroroso do CM narrando, e não o Luís Roberto. Se bem que LR não confundiria Kléberson com Maldonado.

• Bruno, decisivo, craque num lance. Acabou. E o time do Fla faz Chatuba no Pacaembu.

Jogão. Um jogão que só reafirma minha maneira de enxergar o futebol. Porque o Corinthians, enquanto partiu pra cima em busca da vantagem de dois gols, dominou a partida, criou uma dezena de chances e atingiu seu objetivo. Aí abdicou de jogar pra frente, de buscar mais. O Flamengo, por sua vez, enquanto jogou com o resultado na cabeça, nem pareceu o Flamengo. Tomou sufoco, apanhou na bola vergonhosamente. Aí precisou jogar pra frente. E com seu toque de bola, com calma, fez o gol que precisava.

Eu fico com Cruijff. Não me importa apenas o resultado.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pimba Nos Gorduchinhos.


A foto acima, recente, explica, sem margem para dúvidas, o motivo pelo qual Ronaldo não vai à Copa e nem terá muito mais tempo de vida no Parque São Jorge.

Se jogar seu último mundial não o motivou (por que motivaria, se em 2006 ele estava igual agora?), se lutar pelo título inédito da Libertadores, no ano do centenário do Corinthians, não foi capaz de mudar seu comportamento, quem acredita num restante de temporada razoável caso o time seja eliminado na semana que vem?

Ronaldo foi uma piada triste nesta quarta, no Maracanã. E vai continuar sendo enquanto insistir em jogar assim.


Adriano, que não está assim tão menos roliço que Ronaldo, como a foto comprova, também decepcionou quarta. De bom, o pênalti - ainda sem comemorar, que loucura - e dois passes inteligentes no segundo tempo. De resto, nenhuma explosão, velocidade ou competência - o gol perdido na cara do goleiro, na pequena área, pode fazer muita falta no jogo de volta.

Na arquibancada, muitos o xingavam. Todos o apoiaram ao coro de "O imperador voltou!" após um pique no ataque, para tentar roubar a bola do goleiro e, depois, marcar o zagueiro adversário. Foi o último - dali em diante, voltou a se arrastar em campo, como tem feito ultimamente.

Mais um que não encontra motivação, mesmo ganhando uma fortuna, mesmo sendo ídolo do maior clube do país. E seu contrato termina no próximo dia 30, lembrem-se.


Motivação é também a grande questão para o Barcelona de Pep Guardiola depois da eliminação diante da Inter nas semis da Champions League. Favorito, favoritíssimo mesmo depois da derrota em Milão, o Barça emperrou diante de um time com um a menos - mas fechado na defesa por um mestre-retranqueiro chamado Mourinho, que armou um ferrolho de dar inveja a qualquer Muricy que se preze.

Na verdade, a expulsão até caiu bem aos olhos do mundo. Sem Thiago Motta, com dez em campo, a retranca passou a ser vista como única opção, a covardia como heroísmo. E a Inter, que só fez defender, perdeu só de um e avançou à final contra o Bayern.

Dispenso essa decisão. Sem Barça, sem Manchester, sem Arsenal, sem Real, sem Messi, sem graça.

E, por falar em Messi, agora ele terá motivação extra para a Copa...

(Não sei bem porque, mas me veio à cabeça agora a lembrança do Maradona entortanto o Dunga na Copa de 90, quando a Argentina eliminou o Brasil...)


E por falar em Copa - mas de boas lembranças - a Four Four Two brasileira desta mês traz um mini-caderno especial sobre o Mundial de 82, meu primeiro e mais sofrido e saudoso até hoje (como pode algo ser sofrido e saudoso? Resposta: Zico, Sócrates, Falcão, Leandro, Júnior e... Paulo Rossi, Serginho, Cerezo...)

A revista deu uma afinada, mas continua valendo.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A Libertadores E Os Libertinos.

Ela foi, desde o princípio, o objetivo dos casamentos Corinthians-Ronaldo e Flamengo-Adriano. A competição mais cobiçada pelos clubes brasileiros serviu, inclusive, como forte argumento para que eles tivessem o "sim" dos artilheiros.

Apesar das noivas não terem se casado de branco - por motivos evidentes - tiveram uniões pomposas e cercadas de expectativas. Para a felicidade dos casais, algumas foram logo confirmadas. Com Ronaldo, o Corinthians foi campeão paulista e da Copa do Brasil em 2009. Com Adriano, que chegou depois, o Flamengo saiu de uma já desesperançosa espera de 17 anos, conquistando o hexa.

Engana-se quem pensa que a partir dos títulos as coisas começaram a mudar. Nos dois relacionamentos a troca jamais foi justa, desde o princípio. Ronaldo, que ganha 600 mil por mês, pode ter brilhando em muitos momentos, mas já em abril do ano passado, há um ano, portanto, voltava para o hotel em Presidente Prudente embriagado, nos braços do gerente de futebol Antônio Carlos Zago, que acabaria pagando a conta do escândalo na boate Pop's Drinks com o próprio emprego. Adriano, que ganha 400 mil mensais, tem lista ainda mais extensa de confusões e histórias mal contadas, da bolha no calcanhar na reta final do brasileiro à lombalgia suspeita que o deixou fora de jogos decisivos pelo estadual e Libertadores. Some-se a isso os problemas de ambos com a balança e temos dois casos escancarados de absoluta falta de comprometimento com o casamento. As noivas engordaram, pararam de agradar e ainda insistem em pular a cerca, na frente de todos.

No caso específico do Flamengo, a outra parte do casal resolveu dar um "basta" à pouca vergonha. Patrícia Amorim pode ter demitido o gerente e o técnico, mas o alvo, sem dúvida, é Adriano. Quando fala em "moralizar" o futebol da Gávea, em "restaurar a ordem perdida", se refere especificamente a ele. Porque Petkovic não falta a treino; Love, quando falta, treina sozinho no dia seguinte (e, por isso e pela dedicação em campo, é poupado pela torcida e deve ser poupado também de punição pelas manifestações no dia da demissão de Braz e Andrade).

Quem não se enquadra, como Adriano e Álvaro, para citar os casos mais evidentes, está com os dias contados - em junho terminam os contratos de ambos.

Patrícia não estava na Gávea quando o hexa foi conquistado. Mas sabe, como qualquer rubro-negro, que o título vinha servindo de justificativa para todo o mal que encontrou depois. A famosa frase "enquanto a bola estiver entrando" foi um recado claro mas não compreendido por todos. Ao que parece, quem se julgar maior que o clube, nesse momento, estará, na verdade, dando adeus a ele. Como ficou provado pelo coro da torcida no Maracanã ao fim do fiasco contra o Caracas.

Quis o destino que Fla e Corinthians se encontrassem logo agora, nas oitavas da Libertadores. Para o rubro-negro, uma verdadeira benção disfarçada - apesar de ter a desvantagem do segundo jogo fora de casa, se passar não terá pela frente, até a decisão, nenhum dos principais candidatos ao título - Inter, Cruzeiro, São Paulo, Estudiantes, estão todos na outra chave. Uma chance de ouro, poucos meses depois de uma conquista que, teoricamente, deveria ter deixado um clima tranquilo e de poucas cobranças para 2010.

Exatamente o oposto do que cada jogador vai encontrar no Maracanã lotado, nesta quarta. Porque a parte do casal rubro-negro que cansou da putaria e da falta de respeito não compreende apenas Patrícia Amorim.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Ter Ou Não Ter, Eis A Questão.

Marquem a semana que está quase acabando. Fatos importantes aconteceram e podem, num futuro próximo, gerar uma grande mudança na estrutura do futebol brasileiro.

Infelizmente, da tragédia de Shakespeare, nesta história estão apenas seus temas: traição, vingança, moralidade e corrupção.

O ponto de partida é a reeleição de Fabio Koff para o comando do Clube dos 13 - que hoje tem vinte clubes - pelo placar de 12 a 8. A chapa encabeçada pelo São Paulo de Juvenal Juvêncio e o Flamengo de Patricia Amorim venceu a capitaneada pelo Corinthians de Andrés Sanchez. O adversário de Koff era Kléber Leite, numa candidatura que tinha o velado apoio da CBF, em uma eleição que era acompanhada com atenção pela TV Globo - maior ameaçada pelo resultado.

A emissora pagou ao Clube dos 13, pelos direitos de transmissão do campeonato brasileiro até 2011, um bilhão e meio de reais, num contrato de três anos. É pouco. O futebol é um dos pilares de sua programação e gera algumas das maiores receitas publicitárias da casa. Para efeito de comparação, os direitos da Premier League, por contrato de igual duração, custaram cinco bilhões de reais.

Fabio Koff, os presidentes dos vinte clubes e a torcida do Flamengo sabem que o dinheiro é pouco. E todos também sabem que, constantemente na bancarrota, clubes aceitam adiantamentos da TV, gerando uma situação em que quem pega fica sem ter como pedir mais na hora de renegociar, pois deve. Só que, desta vez, parte dos vinte clubes queria pagar pra ver, exigindo mais do que um substancial aumento no valor do contrato. A ideia é, como em tantos setores, abrir concorrência.

Assim que Koff foi reeleito, a TV Record se pronunciou, confirmando o interesse nos direitos de transmissão. O receio da atual detentora é exatamente uma nova rasteira por parte da concorrente, que lhe tirou as Olimpíadas de Londres. Tentem imaginar a Globo sem o futebol e a Record, com aquela grade de programação cheia de buracos, podendo passar vários jogos por semana.

Ricardo Teixeira, presidente da CBF, não ficou contente com a derrota de Kléber Leite, seu fantoche. Sabe, de trás para frente, quais presidentes votaram contra ele: de São Paulo, Palmeiras, Portuguesa, Atlético-MG, Atlético-PR, Flamengo, Fluminense, Guarani, Bahia, Sport, Grêmio e Internacional. E já lançou sua vingança, a seu estilo, sobre os dois líderes do movimento - o São Paulo, de Juvenal Juvêncio, e o Flamengo, de Patricia Amorim.

Afinal, qual teria sido exatamente a fonte que fez o Estado de S.Paulo garantir que o Morumbi estava fora da Copa de 2014, fato que a FIFA negou pouco depois?

E por que motivo só agora, quase dois anos depois de afirmar que resolveria a questão, a CBF determinou a entrega da Taça das Bolinhas ao São Paulo, quando, de fato, deveria ser do Flamengo?

Ao mesmo tempo que retalia, a CBF tenta gerar a discórdia no grupo dissidente.

Em contrapartida, o presidente do Corinthians, que votou em Kléber, foi anunciado como chefe da delegação brasileira na Copa. Sim, o senhor Andrés Sanchez, com toda aquela sua postura e eloquência.

E, enquanto isso - enquanto o Clube dos 13 se racha ao meio, enquanto todos os clubes devem fortunas e ainda se vendem por quase nada - a CBF anuncia mais um patrocinador, elevando seus rendimentos anuais com patrocínios para 220 milhões de reais.

Não é mesmo tudo muito podre na tragédia do futebol brasileiro?

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Finalmente.

Depois de sei-lá-quantos jogos diante de times pequenos, de plateias pequenas, os dois principais protagonistas do estadual do Rio finalmente chegam ao momento da verdade, como numa novela modorrenta que pega fogo somente em seus capítulos finais.

Nada mais apropriado que uma decisão entre Flamengo e Botafogo.

Na verdade, nada além disso seria capaz de salvar esse campeonato do esquecimento histórico.

Porque não seria a mesma coisa se o Botafogo estivesse prestes a decidir o título com Fluminense ou Vasco. Com tricolores, não há mágoas ou grandes decisões recentes. Com vascaínos, até poderia-se lembrar da goleada humilhante na Taça Guanabara, mas mesmo ela já foi vingada com o título do turno.

Já com o Flamengo...

Há dois finais opostos para este campeonato. No primeiro, O Flamengo vence, conquista um inédito tetra estadual, fortalece seu técnico e sua busca por mais uma Libertadores. E ainda sela, de vez, a superioridade sobre o rival, tetravice, marcando para sempre uma geração de alvi-negros que não aguenta mais perder para o Fla.

No segundo, o Botafogo vence, seja conquistando a Taça Rio ou, mais rodriguianamente ainda, perdendo-a, para superar, nas finais, o rival. Seria a retumbante catarse alvi-negra, a alegria sufocada pelos últimos três anos, a lavagem de uma alma e uma psiqué que parecem desbotadas pelos seguidos vices, pelas chacotas, pelos cânticos provocativos rivais. E, tudo isso, sob a batuta de um mítico Joel e de figuras marcantes, tipicamente botafoguenses, como Caio e Loco Abreu.

Não teria a mesma graça, para o Botafogo, ser campeão diante de Flu ou Vasco.

E volta, subitamente, a ter graça e relevância o campeonato estadual, pelo resgate imediato de sentimentos como raiva, soberba, confiança e frustração provocados nas duas torcidas pelas últimas três decisões entre os clubes.

Finalmente alguma emoção.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O Sombra.

Como esperado, ninguém duvida que os cinco representantes brasileiros na Libertadores devam se classificar sem problemas para as oitavas-de-final da competição, acalentado sonho de consumo de todos para 2010. Corinthians, São Paulo, Cruzeiro e Internacional lideram seus grupos neste momento. E o Flamengo, segundo colocado no seu, ainda tem três jogos pela frente, dois deles em casa.

Se ainda é cedo para especular sobre adversários na próxima fase, não é para pensarmos nas manchetes dos jornais em seis de maio, dia seguinte aos jogos de volta das oitavas. Estarão os cinco ainda na briga?

Dois dias depois, em oito de maio, começa o campeonato brasileiro. E eu duvido muito que dele Muricy Ramalho seja mero espectador.

Hoje, é possível dizer que Adilson Batista, Mano Menezes, Andrade e Ricardo Gomes estão firmes em seus cargos, situação bem diferente da de Jorge Fossati, que se não tivesse vencido ontem o Cerro, poderia já não ser mais o homem no comando do Internacional. Mas e no caso de uma eliminação nas oitavas, estariam estes senhores garantidos em seus clubes para o restante da temporada?

O uruguaio, que andava em corda bamba, pode nem durar até lá. E o Beira-Rio, que já foi a casa de Muricy, seria a escolha mais natural para ele. O Inter não tem mais o belo time que acabou não vingando na temporada passada, mas possui elenco suficientemente bom para que o treinador brigue pelo título brasileiro.

Em Minas, Adílson é exceção louvável no futebol daqui, pois dirige o Cruzeiro desde o início da temporada 2008 e duvido muito que não termine a 2010 à frente do time. Um retorno ao Morumbi, onde outro ex-zagueiro não chega nem perto em termos de estabilidade, seria improvável.

Sobram, então, Flamengo e Corinthians, os dois maiores clubes do país.

Dois paióis onde combustões espontâneas levam a grandes explosões. Onde o mais queimado, quase sempre, é o técnico.

Mano, que assim como Adilson já acumula duas temporadas inteiras no comando do Corinthians, vem dando seus primeiros sinais de desgaste no cargo. Nem mesmo a conquista da Copa do Brasil, no ano passado, parece ser capaz de aliviar sua barra no caso de uma eliminação na Libertadores - principalmente se o time sequer se classificar para as semifinais do paulista, o que é uma grande possibilidade.

Só não consigo é imaginar Muricy no Parque São Jorge. Embora também não conseguisse imaginá-lo no outro Parque, onde acabou durando pouco.

Andrade, mesmo tendo sido o comandante do hexa, não enfrenta menores turbulências na Gávea. Dos atritos com Marcos Bráz à bomba-relógio Petkovic, passando pela busca do inédito tetra carioca, nada tem feito sua vida mais tranquila, como se poderia supor de quem na temporada passada levou o clube a título tão importante e esperado. Assim como Mano, duvido muito que, sem título estadual e sem vaga nas quartas da Libertadores, o Tromba seja mantido no comando.

Enquanto isso, Muricy solta uma frase aqui, outra ali, como a sobre o sonho de, um dia, treinar o Flamengo.

E espera.

* * *

E como espera, Muricy certamente assistiu ontem a Arsenal x Barcelona, disparado o melhor jogo da temporada até aqui. Como sei que, por sua maneira de ser, não deve ter ficado encantado com dois times jogando tão pra frente, de forma tão inconsequente quase, imagino que tenha ficado impressionado com atuações tão distintas de seus companheiros de profissão.

Arsène Wenger teve que lidar com toda sorte de problemas. Arshavin e Gallas se machucaram ainda no primeiro tempo, quando o time da casa foi massacrado. Fugindo do óbvio, ele recuou Song para a zaga e botou Eboué e Denílson no meio-campo, para tentar conter um Barça que, nos primeiros dez minutos, poderia facilmente ter feito dois ou três a zero. Apesar disso, o placar no intervalo marcava zero a zero.

Mas, logo nos primeiros quinze minutos da segunda etapa, Ibra, inteligentíssimo, se posicionou de forma perfeita para receber dois lançamentos e fazer dois a zero. Àquela altura, com quase 70% de posse de bola, o Barça parecia já pensar nas semifinais da Champions. Foi quando, pouco depois, Pep Guardiola resolveu mexer no time (em time que está ganhando não se mexe...); tirou o sueco, que saiu descontente, claro, e botou Henry, que entrou descontente, pois já havia declarado que, se possível, jamais enfrentaria o ex-clube, onde ainda é ídolo. Henry não jogou nada e o Barça, que buscava o terceiro gol, desandou.

Do outro lado, Wenger botou Theo Walcott em campo. E o veloz meia-atacante, em sua segunda jogada, diminuiu. Mais tarde, Puyol seria expulso ao cometer pênalti em Fábregas, que empatou a partida e também se contundiu - embora não fosse mesmo disputar o jogo de volta, suspenso.

Placar final, 2x2. Nas finalizações, 11x3 para o time espanhol, que teve 62% de posse de bola.

Muricy?

Talvez tenha achado que Guardiola devesse ter substituído Ibra por mais um zagueiro ou volante...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sobre aprendizes e mestres.

Esqueçam a vã discussão sobre uma possível convocação de Neymar e Ganso para a Copa. Nem adianta entrar no mérito da questão. Dunga, como todos já devíamos saber, tem suas inabaláveis convicções e jamais chamaria assim, "de graça", dois meninos que não suaram por ele uma única gota nesses últimos três anos. Não seria o Dunga.

Esqueçam também as comemorações coreografadas, os 54 gols em 17 jogos - incrível média de 3,17 - as goleadas com sabor de antigamente e até mesmo o golaço de Ganso, ontem, por cobertura, com o pé esquerdo e a classe de um Zidane, um Sócrates. Esqueçam tudo isso.

Lembrem-se apenas que o Santos, 41 pontos - onze a mais que o São Paulo, doze a mais que o Corinthians e dezesete a mais que o Palmeiras - pode ficar pelo caminho nas semifinais, depois de tão brilhante campanha, capaz de encantar, nestes primeiros meses de 2010, a todos que apreciam o bom futebol.

Toda essa superioridade valerá apenas a vantagem de jogar por dois resultados iguais nas semis, além de fazer a segunda partida em casa. E assim, num golpe do destino, num daqueles azares que povoam o futebol, o melhor time do campeonato pode ser eliminado pelo quarto colocado. Que pode ser o São Paulo, mas pode também ser o ilustre Grêmio Prudente, antigo Barueri.

E aí eu pergunto - é justa essa fórmula em que, depois de todos jogarem contra todos, um time como esse do Santos ainda precise se provar melhor que outros três que terminaram tão atrás?

Será lembrado como esse campeonato se outro, que não o Santos, for o campeão?

* * *

Conheci Armando Nogueira em 1995, mesmo ano em que recebia meu primeiro salário como profissional de televisão. Trabalhamos juntos no programa Bola Q Rola, do Sportv, já nos anos 2000, em que eu era o editor-chefe e ele tinha uma coluna. Foi naquele contato semanal, durante mais de um ano, que aprendi a admirá-lo. Não apenas pelo texto ou pelas tiradas geniais que abrilhantavam o programa - a coluna do Seu Armando, no fim, era realmente o momento mais aguardado, o luxo do BQR. O que me fez dele fã e defensor, no entanto, foi sua personalidade única.

Em janeiro de 2007, quando completou 80 anos, eu estava retornando ao Sportv, depois de um ano longe de casa. Coube a mim fechar o programa especial, ao vivo, em que lhe prestamos uma bela homenagem, na sede náutica do Botafogo, com a presença de uma série de personalidades ligadas ao jornalismo, ao clube de coração e ao futebol.

Quando eu, no comando lá do Rio Comprido, entro na caixa-de-sapato (comunicação através da qual falava com o estúdio, na Lagoa) para dar os parabéns ao Seu Armando, recebo de volta, na frente de todo aquele povo, as palavras daquele monstro sagrado do jornalismo brasileiro dizendo que estava ainda mais feliz por ter sabido, naquela semana, que eu havia voltado ao Sportv. Acabou me dando os parabéns, em vez de eu a ele.

Com tanta gente por aí que não é nada se achando o tal, Armando Nogueira, em sua simplicidade, nos ensinava que não éramos nada mesmo.

O jornalismo perde um ícone e o mundo, um tremendo ser humano.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Money.

De todas as alcunhas recebidas ao longo da carreira, essa sempre foi minha predileta. E nada tem a ver com seu toque de Midas ou com sua paixão pelo jogo - qualquer jogo - de apostas. A money ball, no fim, sempre era dele. Todos sabiam, poucos conseguiam pará-lo.

Mas o tempo foi capaz de fazê-lo.

Aposentado de vez, após de uma passagem de dois anos pelo Washington Wizards, Michael Jordan assumiu o comando do time da capital americana na cobiçada função de general manager, que seria algo como o nosso gerente de futebol daqui, com amplos poderes para decidir sobre os assuntos relacionados ao basquete. Sua atuação foi tão pífia que o dono dos Wizards, falecido este ano, o demitiu em 2003.

Sim, Michael Jordan, como qualquer mortal, já foi demitido. E já era Michael Jordan.

Em 2004, Robert Johnson comprou os direitos para ser dono de uma nova franquia em Charlotte (os Hornets haviam trocado a cidade por Nova Orleans em 2002) por 300 milhões de dólares. Dois anos mais tarde, convidaria MJ para ser acionista minoritário e, novamente, a última palavra nos assuntos relacionados ao basquete. Desta vez, Jordan até que fez um bom trabalho. O resultado aparece agora, com a equipe firme na briga para chegar pela primeira vez aos playoffs.

Bob não chegou a colher os frutos do sucesso. Na semana passada, depois de seis anos de prejuízos, ele decidiu vender o time. E Jordan, com 175 milhões de dólares do próprio bolso e mais um grupo de investidores, fechou negócio por 275.

Mais uma vez à frente de seu tempo, MJ se torna o primeiro ex-jogador a ser dono de uma equipe profissional nos Estados Unidos. Não é pouco. Na NBA, são 30 times. Na NFL, 32. Na MLB, outros 30. E na NHL, mais 30. Ou seja: entre 142 equipes profissionais de basquete, futebol americano, beisebol e hóquei, só uma pertence a um ex-jogador. Que, ainda por cima, é também o único dono negro - Johnson havia sido o primeiro na história.

Além de retornar ao estado da Carolina do Norte, onde é um mito por conta de sua passagem pela universidade local, campeã com ele em 1984, Jordan terá também desafios pela frente - talvez os maiores que já tenha enfrentado.

De cara, ele assume uma dívida de 150 milhões deixada por Johnson. Só nesta temporada, o prejuízo estimado é de mais 30 milhões. Em seis anos de existência, os Bobcats (nome escolhido por Bob Johnson - mais egocêntrico, impossível) ficaram marcados pela falta de apelo. Do logotipo aos uniformes, passando pela arena construída há apenas 5 anos, nada foi capaz de incutir no torcedor de Charlotte amor parecido com o que ele alimentava pelos Hornets, que sempre estiveram entre as equipes de melhor média de público da NBA. A chegada de MJ aponta para um futuro mais relevante, por sua capacidade de atrair investidores, patrocinadores e mídia. Mas a grande dúvida é como será o envolvimento do astro no comando da equipe. Em Washington e mesmo em Charlotte, quando ainda gerente de operações, Jordan sempre foi questionado e criticado por sua ausência. Passava mais tempo em Chicago, sua casa, do que trabalhando. Agora, diz que vai ser diferente. E é bom que seja mesmo, pois até um dono de bar sabe que é preciso estar presente para que o negócio dê certo.

Resta saber que tipo de dono será MJ, um dos maiores competidores que já existiu, capaz de socar um companheiro de time por sua falta de empenho num treino ou de humilhar outros que não tinham tanto talento.

Se a NBA tinha em Mark Cuban, do Dallas, um dono de time que aparecia tanto quanto suas estrelas, agora tem dois.

* * *

A nova aventura de MJ me fez lembrar de um certo post de janeiro de 2009.

* * *

O futebol daqui? Ah, deixem chegar as semis da Taça Rio ou algum clássico paulista com o Santos... Porque ontem, na TV, quando ouvi falar do futebol carioca foi pra saber que Vágner Love depôs na polícia e que Adriano vai depor.

Problema deles. Eu quero é bola na rede.

* * *

E o Lionel, hein?

quinta-feira, 18 de março de 2010

Pensamentos Randômicos De Uma Quinta Qualquer.

Começando pelo óbvio, o Flamengo deixou escapar uma grande chance, ontem, em Santiago. Diante de um time que pressionava mas também dava espaços - e num campo de boas dimensões e em ótimo estado - o campeão brasileiro fez uma de suas piores partidas na temporada. Nem merecia mesmo o empate, que veio num gol irregular como seus atacantes, que nada acertaram. É bom Andrade começar a pensar em como trazer Petkovic de volta ao time titular. E alguém sabe me dizer o que Dunga vê no pífio Kléberson?

De uma maneira ou de outra, a situação do time carioca ainda é confortável. La U foi a sete pontos, o Fla tem seis, a outra U tem dois e o pobre Caracas, um. É preciso apenas lembrar que não basta ser o segundo, pois neste ano apenas os seis melhores segundos dos oito grupos avançam.

* * *

Seguindo com o melhor desta quarta, que prazer ver Lionel Messi jogar futebol! Não só ele, mas o Barcelona de Guardiola, como um todo. Ontem, com o regulamento debaixo do braço, o técnico espanhol deixou de lado o 4-3-3 e escalou Messi no meio-de-campo, à frente de Touré, Busquets e Iniesta, se aproximando de Henry e Pedro, que jogaram na frente. O baixinho deu um show e, depois da partida, lembrou que jogava assim nas categorias de base do clube.

Será que Maradona assistiu ao jogo?

Teria ele pensado num time com Mascherano, Verón e Máxi Rodríguez; Messi; Tévez e Higuaín do meio para frente? Que ainda pode ter, no banco, Aguero, Di Maria, Lavezzi, Lizandro e Milito. Ah, se nossos hermanos fossem para este mundial com um técnico de verdade como... Bielsa, por exemplo.

* * *

Hoje à tarde, o presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro vai se encontrar com representantes de Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo para tentar encontrar uma solução para o impasse criado entre a Secretaria Estadual de Turismo, Esporte e Lazer e a empresa BWA, responsável pela confecção, comercialização e distribuição de ingressos e pelas roletas do estádio do Maracanã. Se não for apresentada uma proposta razoável, a Suderj pode romper o convênio que tem com a Ferj para a utilização do Maracanã em 2010, assinado no início do ano. Domingo, no clássico entre Fla e Vasco, só quinze das 103 roletas do estádio funcionavam.

É como entrar numa daquelas imensas agências bancárias, com vinte caixas... e apenas dois ou três atendem à multidão que forma a fila e espera horas para ser atendido. Mas não é só.

De nada adiantará botar as 103 roletas funcionando se a Polícia Militar não mudar a maneira como trata o torcedor e seu acesso ao estádio. Os currais "organizados" pela PM junto aos muros, dos dois lados da entrada, tanto no Belini quanto na UERJ, são de uma estupidez proporcional ao descaso com que quem paga ingresso é tratado por quem deveria garantir a sua segurança.

* * *

E a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, hein? Sobem mesmo no telhado sem os royalties do petróleo? Isso quer mesmo dizer que, desta receita anual de 7 bilhões de reais, parte seria usada para isso? Quem deixaria de receber, então? Saúde? Educação? Segurança?

Como diz meu mestre Renato Nogueira, ainda bem que moramos em Oslo, onde nada disso é problema.

* * *

Mais uma dele, pra encerrar: este é um dos mais sensacionais planos de sequência que vi no cinema nos últimos tempos. "O Segredo De Seus Olhos" está sendo baixado neste momento lá em casa.

No próximo post, um marco na história do esporte - pela primeira vez um ex-atleta, negro, se torna dono de um time profissional nos EUA...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Sexta!

Nesta véspera de fim de semana de sol tão aguardado e necessário e desejado, nada melhor do que algumas frases proferidas por gente que se esforça para fazer do esporte a coisa sem importância mais importante de nossas vidas.

"Estou me preparando para voltar. E meu estilo de jogo facilita para que as pessoas mencionem o meu nome quando o assunto é seleção." - Roberto "sem noção alguma" Carlos, em entrevista à Playboy deste mês.

"Maravilhoso, porque somos um país rico. A estrutura aqui tanto para a Copa quanto para a Olimpíada vai ser de primeiro mundo. Temos condições de fazer a melhor estrutura, a melhor segurança." - A mesma figura, respondendo à pergunta "O que você achou da escolha do Brasil como sede da Copa de 2014?".

"Se a gente tivesse ganho em 2006, ninguém falaria sobre a balada na Alemanha. Fizemos coisas piores em 2002 e ninguém soube. No Japão era mais liberado. A gente arregaçava." - Roberto "meião" Carlos.

"Futebol é qualidade. Interessa se você é bom no que faz. O que podem dizer do Ronaldo, do Robinho, do Ronaldinho? Estão na noite e já ganharam tudo." - Roberto "corporativista" Carlos.

"É um treinador covarde que, tira do campo os jogadores que criam expectativa e dos quais se espera muito para desviar o foco de sua própria incompetência." - de um tal Diogo Kotscho, assessor de imprensa de Kaká, que não vem jogando nada e saiu vaiado pela torcida ao ser substituído no empate com o Lyon, que eliminou o Real, pela sexta vez seguida, nas oitavas da Liga dos Campeões.

"Que jogador não bebe? Você conhece algum? Se as pessoas forem se preocupar com isso é melhor acabar com o futebol brasileiro, mundial... O álcool não interfere em nada." - José Luiz Runco, responsável pelo departamento médico do Flamengo e da seleção brasileira...

"Em beber uma cervejinha não vejo problema nenhum. Concordo plenamente com o Runco. Agora, não pode é beber um engradado." - Ricardo Teixeira, dono do futebol brasileiro e phd em destilados de 800 dólares a garrafa e torneiras de chope contrabandeadas.

"Na seleção brasileira, principalmente se você estiver se preparando para a Copa do Mundo e também durante a Copa do Mundo, você tem que ter os cuidados físicos. Já disse claramente que não gostei de 2006 e vamos mudar isso. O que aconteceu lá com jogador participando de festa e chegando às 4h, 5h da manhã, acabou. Foi uma outra fase. Não vai acontecer de novo quatro anos depois." - de novo Ricardo Teixeira, admitindo que só fez turismo na Alemanha em 2006.

"Bebida não é problema. Beber é uma delícia. Problema é ter problema com a bebida, isso sim! Aí é muito diferente. Tem até tratamento pra isso." - Fernando Calazans.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Prumo.

Eu esperei o fim de semana passar para escrever sobre o assunto. Afinal, a primeira reação, natural, foi misto de raiva e indignação. Como pode um jogador profissional fugir de suas obrigações por causa de uma briga de casal?

Isso mostra que estou ficando mais sábio, eu acho. Ao contrário de outras épocas, penso bastante antes de falar ou escrever sobre algo que mexe com minha razão através da emoção. Pois bem:

Eu te entendo, Adriano. E nem poderia ser diferente.

Num rápido exercício de memória, vieram imagens, pessoais e de amigos, das mais variadas. Acidentes de carro, brigas verbais e físicas, porres homéricos, vexames horrorosos, escândalos vergonhosos, emergências de hospitais e, claro, salas de espera de delegacia. Tudo fruto de desentendimentos de uma vida a dois.

Em todas elas, eu ou algum grande amigo ou parente ficou sem chão. Sem Norte. Sem condição de levantar no dia seguinte e tocar a vida normalmente, como se nada tivesse acontecido.

O trabalho, claro, entra nessa roda. Nós, pessoas comuns, temos mais dificuldade em deixar de lado essa obrigação que paga nossas contas, vícios e luxos. Mas quem pode dizer que conseguiu trabalhar bem depois de uma experiência dessas?

Note que nem eu, nem amigo ou parente, jamais passou por uma destruição de carros alheios pela parceira bem no meio de uma das mais violentas favelas do Rio de Janeiro, tudo na frente de amigos, colegas de trabalho, fãs, detratores e traficantes armados. Como a autora de tamanha proeza não se trata de uma namoradinha qualquer, mas de alguém com quem Adriano se relaciona há anos - entre idas e vindas, é verdade - dá pra fazer um perfeito paralelo com o que vivi e vi nesses 37 anos.

Raiva e indignação viraram pena e compaixão.

Se vale um conselho, o trabalho é excelente remédio depois que a poeira baixa. Domingo que vem tem Flamengo x Vasco, Adriano.

* * *

Antes que alguém possa interpretar mal, estou entre os que pensam que as mulheres são a razão porque vivemos e enlouquecemos nesta vida; sem elas, nada faz sentido; bem-aventurado quem, como eu, tem a sorte de receber o amor verdadeiro de uma delas, para poder retribuir da mesma forma.

Um feliz dia internacional da mulher para todas.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Ás de Copas.

É pra assistir saboreando.

A partir de amanhã, sempre às terças na ESPN (21h) e aos domingos na ESPN Brasil (depois do Bate-Bola), quem aprecia a história do futebol vai poder rever - ou ver pela primeira vez - alguns dos jogos mais marcantes da história das Copas, a partir do mundial de 70.

A estreia, quase óbvia, é com a final entre Brasil x Itália. Narração e comentário serão atuais e eu queria muito ter essa lista, mas não tenho.

Tenho, sim, o saboroso cardápio:

Brasil x Holanda, 74, o atropelamento
Alemanha x Holanda, final de 74
Brasil x Argentina, 78
Argentina x Peru, o jogo da vergonha de 78
Argentina x Holanda, a final de 78
Itália x Brasil, 82, em que chorei de raiva
Inglaterra x Argentina, 86, Deus disfarçado de Diego
Argentina x Alemanha, final de 86
Itália x Argentina, 90
Alemanha x Argentina, final de 90
Brasil x Itália, final de 94
França x Brasil, final de 98
Brasil x Alemanha, final de 2002
França x Itália, final de 2006

A lista, mais do que mostrar a evolução do futebol nos últimos 40 anos, deixa claro também seu empobrecimento, pelo menos no que diz respeito ao que foi apresentado em Copas. Basta comparar os jogos das décadas de 70 e 80 aos das seguintes. Não faço questão alguma de rever as finais de 90 para cá.

Já os dois Brasil x Itália, o show holandês sobre nós em 74 - que tenho aqui no meu HD -, a final contra a Alemanha naquele ano e os jogos da Argentina em 86, esses sim, são de uma extirpe que quase não se vê mais.

Ainda mais em Copas do Mundo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Amar é...

Quem leu Febre de Bola, de Nick Hornby, sabe como é.

Domingo, lá pelas cinco da tarde, eu comprava M&M´s em quantidade suficiente para os 162 minutos de Avatar que viriam pela frente (aliás, só pelo novo 3D - diferente de tudo que eu já tinha visto em 3D - já valeria ver o filme).

E não, também não teve Maracanã no sábado. Um fim-de-semana sem futebol.

Talvez, tenha a ver com a idade. Hornby tinha 35 quando escreveu Fever Pitch.

Sei que, hoje, meu time de coração faz parte de minha vida como jamais fez, nem nos tempos Dele.

Poderia haver relação com meu retorno à rotina de arquibaldo, há coisa de três anos, quando voltei a frequentar o Maracanã em praticamente todos os jogos. Mas aí eu lembro que, na adolescência, esse hábito era ainda mais "grave", com idas também aos Eduardo Guinle, Alair Corrêa e Leônidas da Silva (pra quem não sabe, o nome do estádio do Bonsucesso, mais conhecido pelo nome da rua, Teixeira de Castro) da vida. E, naquela época de carteirinha de torcida organizada, meu time não chegava nem perto de ocupar o espaço que ocupa hoje em mim.

Teria minha vida ficado menos interessante, então? Estaria o futebol preenchendo alguma lacuna? Hmmm... Não. Hoje eu sou um homem, não mais um garoto. Os brinquedos agora são de homem, as preferências de adulto, não é por aí. Pelo certo, meu time deveria estar no fim de uma fila de amplas possibilidades, já que meu universo ficou tão maior que o daquele moleque de quinze, dezesseis anos.

Só pode ser a convivência. A intimidade.

O olhar juvenil foi substituído pelo de um jornalista esportivo, sabedor de tanta coisa boa e ruim por trás do que todo mundo vê; mas não menos apaixonado por conta disso. Pelo contrário. Viver essa intimidade é que mantém a chama acesa. Porque é bem diferente o sentimento do torcedor que vê seu time perder uma final pela tv - acabou, ele troca o canal ou desliga, dá atenção pros filhos, pra namorada - daquele que sai do estádio e fica horas vagando pela Tijuca atrás de um táxi e acaba voltando pra casa num 415, às duas da manhã. Fica marcado. E é aí que vida e bola se misturam de forma tão forte - eu jamais vou esquecer das coisas que vivi naquela quarta-feira até a hora em que encontrei meu irmão no metrô para irmos ao estádio.

Domingo? Daqui a alguns meses eu não me lembrarei mais do que fiz no dia em que assisti a Avatar.

Essa convivência e intimidade a que me refiro, que fazem nosso clube do coração se tornar um verdadeiro ente querido, ficaram claras para mim nesse mesmo dia. Quando saí do cinema, pensei: e nem o Chicago tem hoje. Os Bulls, que para mim sempre foram uma paixão quase no mesmo nível do Flamengo, assumiram outra dimensão neste ano.

Depois da mágica década de noventa, de seis títulos de MJ e companhia, se seguiram dez anos de sofrimento e humilhação. Times ruins, campanhas pífias. Ainda assim, nas raras vezes em que passava um jogo do Chicago na tv, lá estava eu, deixando de fazer alguma coisa mais interessante para ver meu time jogar. E assim se passou outra década com dois ou três encontros anuais entre nós. Agora, com a possibilidade de assistir a todos os jogos pela web, em HD, eu vejo meu time a cada dois, três dias. Às vezes, dias seguidos - como sexta e sábado passados. E a convivência fez com que os Bulls voltassem a ser parte integrante de minha vida, como nos noventa. Ontem, perdemos para os Wizards. Amanhã, pegamos os Pacers.

Só que este, eu vou ver depois, em VT. Afinal, amanhã é dia de Maraca. Estreia em mais uma Libertadores.

E assim o tempo segue, pelos brancos na barba surgem, jogadores passam. E apenas uma coisa fica - a paixão por duas camisas, curiosamente, rubro-negras.

Triste de quem passa pela vida sem viver amor assim.

* * *

Nada a ver, mas eu acho esse vídeo irresistível. Passa algumas vezes a cada transmissão da NBA e, em cada uma delas, eu me pergunto a mesma coisa - dá pra parecer mais idiota que Bush e menos confiável que Clinton?